Semana decisiva para reforma da Previdência
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sábado, 19 de julho de 2003
João Domingos,Mariângela Galluccie Sérgio Gobetti<br>Agência Estado 
Brasília O Palácio do Planalto vai iniciar nesta semana a reação para tentar neutralizar a força dos grupos de pressão que vão agir contra a reforma da Previdência. Na terça-feira, os líderes governistas vão reunir a bancada petista na Câmara para fechar questão a favor do relatório do deputado José Pimentel (PT-CE). Na quarta, será a vez da Executiva Nacional do partido.
Tomada a decisão nas duas instâncias partidárias, nenhum deputado petista poderá desobedecer as ordens. Poderá até discordar, fazer o chamado voto em separado, apresentando suas razões, mas o voto deverá ser, obrigatoriamente, favorável ao texto de Pimentel. Os que desobedecerem, como prometem alguns radicais, serão avisados de que não haverá tolerância.
Apesar da recente ameaça de liderar a greve dos servidores, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) é potencial aliada do governo e trabalhou nos bastidores contra a paralisação. Seu presidente, Luiz Marinho, participou das conversas sobre o texto final da reforma da Previdência, mas não conseguiu emplacar mudanças que justificassem junto às bases sua tática de apostar na negociação.
''O presidente Lula quer contemplar o Marinho, mas não tem margem de negociação'', afirma um outro dirigente da central. Segundo ele, a cúpula da CUT teria planos de capitalizar a manutenção das aposentadorias integrais, mas essa conquista acabou sendo atribuída ao Judiciário.
Além dessas dificuldades, a CUT tenta se equilibrar internamente entre as várias correntes políticas. O PT controla somente 72% dos cargos da direção nacional. Os 28% restantes ficam com outros partidos de esquerda, como o PSTU, de oposição ao governo.
Sindicalistas O setor petista da central está fora de controle, e o próprio Marinho já admite que os sindicalistas deverão ajudar na greve que os servidores fazem. Mas a CUT ainda é a menor preocupação do governo. ''A CUT fará pressão e isso nós sabemos suportar.''
O lobby do Judiciário, do Ministério Público, dos servidores mais bem pagos, como os auditores fiscais, é que é difícil'', diz o presidente nacional do PT, José Genoíno.
Os fiscais da Receita, por exemplo, já são conhecidos nos corredores do Congresso e devem intensificar sua ação às vésperas de votação do substitutivo na comissão da reforma previdenciária. Além disso, estão realizando paralisações semanais de 72 horas, sempre de terça a quinta-feira.


