Um dos desafios do novo secretário do Ambiente de Londrina, Gilmar Domingues Pereira, é resolver o problema dos grandes geradores - empresas que produzem mais de 600 litros de lixo por semana - cujos resíduos continuam sendo coletados pelo poder público. Decreto assinado pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) em 23 de setembro de 2009 determina que os geradores comerciais se responsabilizem pela destinação de seu lixo, porém, o município continua coletando esse material. O Ministério Público apura se houve improbidade administrativa, uma vez que serviços para particulares estão sendo executados com dinheiro público.
Desde janeiro, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deixou de coletar os resíduos de 330 empresas, as únicas apontadas pelo então secretário do Ambiente, José Novaes Faraco (que deixou o cargo ontem), como grandes geradores. Ele afirmou que ''cansou'' de exigir o plano de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS) das empresas, documento que atesta a quantidade de lixo produzida semanalmente. À ocasião, Faraco reconheceu que havia muitos outros grandes geradores no município, mas admitiu que deixou de exercer sua função de cobrar os PGRS porque estava cansado de ver ''PGRS virtuais''.
O novo secretário, porém, atribuiu importância aos planos e disse que fará um mutirão de técnicos para revisar os PGRS e apontar o número exato de grandes geradores do município. ''Já conversei com o diretor-presidente da CMTU (André Nadai) e ele colocou seus técnicos à disposição para resolvermos isso'', disse Gilmar Domingues, acrescentando que certamente o número de geradores comerciais é muito maior do que 330.
Gilmar considerou que desde a publicação do decreto 769 houve ''muito tempo'' para fazer as adequações necessárias, ''mas o nosso papel agora é fazer uma readequação porque nosso intuito é fazer com que todos tenham condições de se adequar à nova legislação''.
O novo secretário lembrou que o recolhimento correto dos resíduos dos grandes geradores impacta diretamente a vida útil da Central de Tratamento de Resíduos, já que menor quantidade de lixo é depositada naquele local. ''Toda política municipal da gestão dos resíduos sólidos depende muito disso; com esses levantamentos podemos tomar decisões que influenciam diretamente na CTR'', explicou. (L.C.)

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