''Sem transparência, todos parecem suspeitos''
Curitiba - O cientista político Sérgio Braga, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a falta de transparência acaba deixando ''todos os parlamentares suspeitos''. ''Às vezes um bom parlamentar fica suspeito. Mas tem parlamentar que prefere a informalidade. Para ele, quanto mais informal melhor'', afirma Braga, autor de um estudo comparativo das informações disponíveis na internet pelas Casas do Poder Legislativo no País.
''Existem cinco itens que deveriam estar na internet obrigatoriamente. A população precisa, primeiro, ter informações sobre os parlamentares, quem são, de onde eles vêm. Em segundo lugar, informações sobre o processo legislativo. Como funciona, o que está na pauta. Terceiro, informações sobre o orçamento do Estado, que é aprovado pelo Legislativo. Em quarto lugar, informações sobre os gastos dos parlamentares. A população precisa saber quanto custa as atividades deles, observar se não há abuso. E, por último, informações sobre a contratação de pessoal'', define Braga.
Segundo ele, a divulgação de determinados itens, independente do conteúdo, pode ser ''simbólica'', pois denota preocupação com a transparência. ''As informações sobre projetos de lei, por exemplo. Tem muita matéria que não é relevante, mas mostrar os projetos de lei é uma forma de dar satisfação à população.''
Braga afirma que, no caso do Paraná, ''a situação é grave''. Ele se refere à dificuldade em obter informações mesmo ''pessoalmente'', fora do 'espaço virtual'. ''Eu fui buscar, por exemplo, informações sobre as emendas ao orçamento do Estado. E eles não disponibilizam nem para pesquisadores. Ou seja, não é só o fato das informações não estarem na internet. Não há informação nem quando você vai até lá pedir. A Assembléia Legislativa do Paraná está num estágio ainda inferior, de 'amadorismo' total'', critica ele.
O cientista político afirma que a população, a imprensa e a sociedade civil organizada devem cobrar mudanças. ''Muitas vezes a população não sabe que tem direito às informações. E até nem sabe porque obter tais informações são importantes. Mas aquela melhoria que foi feita ali no hospital é resultado de uma emenda'', explica ele.
Questionado sobre as novidades implantadas pelo Legislativo paranaense em 2008 (além da reforma no site, a TV e o painel de presença e de votação no plenário), Braga afirma que, em comparação com as demais Casas brasileiras, o avanço é lento. ''Existem melhorias, mas em doses homeopáticas. Se depender do ritmo, os detalhes sobre o orçamento do Legislativo, que é uma quantia significativa, vão ser disponibilizados à população em 2050'', ironizou ele.
A dificuldade, segundo Braga, tem ligação com a ''mentalidade arcaica'' de determinados parlamentares. ''Eles se sentem 'invadidos' quando se fala em dar transparência, pois têm uma 'mentalidade patrimonial'. Como se aquilo tudo fosse deles, e não da população''. (C.S.)





