Sem-terra quer que Lula mude imagem para disputar Planalto
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) exige mudanças na imagem do presidente de honra licenciado do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua eventual campanha à Presidência da República em 1998. É preciso resgastar sua raiz popular, defendeu o coordenador do MST, João Pedro Stédile. Apesar de ter decidido, em maio, apoiar a candidatura do líder petista, o MST não demonstra o mesmo ânimo em relação aos dois governadores do partido - Vitor Buaiz, do Espírito Santo, e Cristovam Buarque, do Distrito Federal. Eles não se reelegem nem para vereadores, afirmou Stédile.
O líder do MST contou que, logo depois do encontro nacional do MST realizado em maio, Lula foi chamado para uma conversa com a coordenação nacional do movimento. O MST sugeriu uma mudança na imagem de provável candidato. Na última eleição, ele assumiu uma figura de estadista, afirmou Stédile. O MST decidiu fazer a sugestão de mudança da imagem após consulta aos assentados. Segundo Stédile, os militantes do movimento questionaram mais a adesão do presidente do PT ao terno e à gravata do que o fato de Lula morar em uma casa emprestada por seu compadre, o empresário Roberto Teixeira.
Eles (os sem-terra) acham que ainda morando em casa que não é dele, continua sendo uma pessoa simples, relatou. Mas se ele usa uma gravata, a imagem muda, explicou o coordenador. Segundo Stédile, o MST vai aproveitar as eleições do próximo ano para fazer um grande debate nacional não apenas sobre reforma agrária. Temos de discutir a conjuntura atual, disse.
O MST não terá candidatos próprios, mas apoiará os que tiverem mais próximos do movimento. Apesar de preferir os candidatos petistas no próximo ano, Stédile não acredita na reeleição de Vitor Buaiz e Cristovam Buarque, os dois governadores que o partido tem. A política econômica do governo acabou com os estados e dificilmente os governadores de oposição se reelegerão, afirmou.


