Sem-terra já ocupam 12 praças de pedágio
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu ontem mais quatro praças de pedágio em protesto contra o reajuste dos preços das tarifas anunciado na meia-noite de terça-feira. No total, 12 das 17 praças onde o preço foi reajustado já estão ocupadas por integrantes do movimento (veja quadro ao lado). Apesar das concessionárias já terem obtido mandados de reintegração de posse para reaver o controle das praças invadidas, até o início da noite de ontem a Secretaria de Estado da Segurança Pública ainda não havia promovido a retirada dos sem-terra.
A iminência de uma retirada pela Polícia Militar (PM) deixou o clima tenso nos postos de pedágio, especialmente na praça de Mauá da Serra, controlada pela Rodonorte. Membros do MST depredaram o escritório da administração da praça, quebrando vidros e derrubando mesas. De acordo com a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), nas outras praças o clima era mais pacífico. ''Eles ordenam a retirada dos funcionários, liberam as cancelas e cortam os cabos das câmeras do circuito interno de tevê, ou as viram para cima'', afirmou o presidente regional da ABCR, João Chiminazzo Neto. A ABCR informou que na praça de Imbaú, também da Rodonorte, os sem-terra continuavam cobrando pedágio, mas retinham os valores para o MST.
Chiminazzo queixou-se da demora do governo Roberto Requião (PMDB) em cumprir as reintegrações de posse. ''As concessionárias obtiveram o direito de restabelecer suas atividades em todas as praças, mas até agora o governo não agiu em nenhum caso'', criticou. A ABCR divulgou uma reportagem feita pela TV Bandeirantes de Maringá, que destacava uma integrante dos sem-terra afirmando que os manifestantes não deixariam a praça. ''Sabemos que há a ordem de reintegração de posse, mas recebemos a informação de que a Secretaria de Segurança não autorizou o cumprimento da reintegração'' disse a manifestante, que não foi identificada.
A secretaria informou através de sua assessoria que não havia nenhuma decisão nesse sentido. Ontem, o comando da Polícia Militar reuniu-se com lideranças sem-terra para discutir a desocupação pacífica das praças ocupadas. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, afirmou que o governo foi pego de surpresa pelas manifestações. ''São manifestações que mostram que o povo não suporta mais o preço pago pelo pedágio. A melhor saída seria que o Tribunal Regional Federal (TRD) de Porto Alegre cancelasse o reajuste, mas as reintegrações serão cumpridas de qualquer maneira. Mas nossa prioridade é evitarmos o conflito nas praças'', destacou.


