Curitiba - O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) não tem como absorver imediatamente o impacto de um eventual corte no subsídio estadual que paga as contas de água e energia elética da instituição. A afirmação é do diretor administrativo do HC, Aristheu Lopes Negrão, procurado pela FOLHA para comentar projeto do deputado estadual Fernando Scanavaca (PDT). Conforme foi noticiado ontem, o político quer revogar lei de 1997 que garantia o benefício ao Hospital de Clínicas.
Negrão confirmou que o HC gasta, mensalmente, cerca de R$ 150 mil com energia elétrica e R$ 90 mil com água. Anualmente, as duas faturas perfazem R$ 3 milhões, hoje debitados do orçamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Neste ano, a despesa significa 0,1% do orçamento da pasta, estimado na lei orçamentária em R$ 2,8 bilhões. Scanavaca diz que esse pagamento devia ser assumido pelo governo federal, que não dá contrapartida aos hospitais universitários (HUs) mantidos pelo governo do Paraná. Michele Caputo, da Sesa, diz que a administração não solicitou ao deputado que ele ingressasse com o projeto.
''O Hospital de Clínicas opera 100% dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), que é da onde vem a maior parte da sua receita. Para custeio nós temos perto de R$ 6 milhões mensalmente, onde R$ 2,5 mi já estão comprometidos com contratos terceirizados e R$ 3,5 mi com os insumos, comprados através do registro de preços'', contabiliza o diretor administrativo do HC. Negrão é bem objetivo ao analisar a proposta do deputado estadual, em tramitação na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. ''Inicialmente vai ter impacto, sim, pois o hospital já tem firmados muitos contratos de fornecimento. Fazemos tudo na ponta do lápis'', diz o administrador.
Para Negrão, ''toda a ajuda é bem-vinda''. ''Nós tememos o corte, pois seria mais um encargo para o HC, que é totalmente público e um hospital escola'', reflete ele, que administra o maior hospital do Paraná. O HC atende em média 61 mil pessoas por mês. ''Até daria para assimilar a despesa ao longo do tempo, mas eu não sei qual a intenção do deputado estadual com o projeto. Talvez ele esteja mesmo preocupado com o controle orçamentário do Paraná'', diz o diretor do Hospital de Clínicas. Scanavaca manteve o benefício aos hospitais universitários estaduais na sua proposta de lei. Em 2013, a Sesa terá R$ 300 milhões a mais em seu orçamento, chegando a R$ 3,19 bi.

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