Curitiba - A vitória folgada de Valdir Rossoni (PSDB) ontem, na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, não traduz a guerra travada por ele nos bastidores para conter motins dentro da base aliada do governo estadual. Ao final da votação, ele recebeu 43 votos favoráveis, com três abstenções dos petistas e somente um voto contrário, do deputado Cleiton Kielse (PEN). O tucano segue na presidência da AL até o final de 2014, tendo nas mãos um orçamento que chega a R$ 798 milhões somente em 2013.
Rossoni agradeceu a ''bondade dos deputados'', disse que a AL é ''extremamente política'' e que investirá na informatização da Assembleia para aprofundar as ''medidas de transparência tomadas desde o início do mandato'', quando a atual diretoria assumiu o controle da instituição escoltada pela Polícia Militar, após denúncias de desvios milionários de dinheiro público com ''funcionários fantasmas'', fraude na restituição de Imposto de Renda e licitações.
A nova composição da Mesa Diretora é a mesma que FOLHA divulgou ontem. Junto com Rossoni na presidência da AL ficam Artagão Júnior (PMDB), até os últimos instantes cotado para encabeçar uma chapa rival, Douglas Fabrício (PPS) e Nelson Luersen (PDT), da mesma região e partido que Augustinho Zucchi, que deixa a Mesa para assumir a prefeitura de Pato Branco.
Plauto Miró (DEM) permanece na 1 secretaria, seguido por Ademir Bier (PMDB), Gilson de Souza (PSC), Fábio Camargo (PTB) e Gilberto Ribeiro (PSB) nas respectivas vagas. O PMDB quer conduzir Miró ao Tribunal de Contas (TC) do Estado em 2013, quando o conselheiro Caio Soares se aposenta, para assumir a vaga deixada pelo parlamentar na 1 secretaria. O partido ganhou espaço na nova composição, assim como o PPS.
Fora o PMDB, Rossoni teve como rival Ademar Traiano (PSDB), líder do governo na AL, que só desistiu do cargo após promessa do governador Beto Richa (PSDB) que, numa eventual reeleição em 2014, ele teria seu apoio para substituir Rossoni. A disputa entre os dois chegou até a ressucitação da polêmica aposentadoria complementar dos deputados estaduais, rechaçada por Rossoni e defendida por Traiano.
Mesmo na véspera da eleição, quando a recondução de Rossoni à presidência da AL era dada como certa, houve tumulto no processo. Kielse subiu à tribuna para denunciar a ''máfia do pedágio'' e insinuou que a administração estaria superfaturando licitações. Rossoni foi à tribuna na hora, negar as acusações, que tachou de 'eleitoreiras''.
Ontem, já eleito, o presidente da AL pediu calma e colaboração da população, pois ''o poder público não avança com a rapidez da iniciativa privada''. Não compareceram à votação os deputados Alexandre Curi (PMDB), Nelson Justus (DEM) e Hermas Brandão Jr. (PSB), além de Evandro Jr. e dos outros petistas, envolvidos nas eleições de Maringá, Cascavel e Ponta Grossa.

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