O engenheiro em telecomunicações e conselheiro diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Antônio Carlos Valente, participou ontem, em Londrina, de audiência pública para discutir a privatização da Sercomtel e deixou um recado claro aos participantes: para se manter no mercado, qualquer empresa de telefonia passa, necessariamente, pela disponibilidade de recursos financeiros, humanos e tecnológico.
Valente não falou que a solução para a Sercomtel seria a venda das ações que restam nas mãos da prefeitura, limitou-se a dizer que sua vinda a Londrina foi apenas para trazer subsídios técnicos e que a própria cidade deveria encontrar a melhor solução para a empresa. Mas ressaltou que as dificuldades impostas a empresas estatais na obtenção de recursos e contratação de recursos humanos as deixam em desvantagem diante das empresas privadas. ‘‘É como correr com uma perna engessada’’, comparou.
Valente, que participou de todo o processo de privatização do sistema Telebrás, disse que qualquer decisão a ser tomada pelo município com relação à Sercomtel passa por aporte de capital. O presidente da empresa, Francisco Roberto Pereira, que também participou da audiência, citou que apenas para a mudança da telefonia móvel celular para a telefonia móvel pessoal – a nova tendência do mercado – seriam necessários R$ 15 milhões. ‘‘O setor de telecomunicação é de uso intensivo de capital, tecnologia e conhecimento’’, emendou Valente.
De acordo com dados do conselheiro da Anatel, após a privatização do Sistema Telebrás, o serviço melhorou e se tornou mais acessível aos brasileiros. ‘‘Até 1994, 80% das linhas telefônicas estavam nas mãos das classe A e B. Hoje são 40% nessas classes, 42% na classe C, 17% na classe D e 1% na classe E’’, disse. Segundo ele, todas as metas traçadas no início da privatização para 2004, já foram alcançadas ou estão muito próximas do planejado.
‘‘Tínhamos 13,3 milhões de linhas fixas em 94. Hoje temos 41,1 milhões e nossa meta, de 50 milhões para 2004, pode ser alcançada no final deste ano. Em apenas sete anos triplicamos nossa planta de telefonia fixa’’, citou. Ele também apresentou números de telefones públicos instalados no país, que passaram de 342 mil, em 94, para cerca de um milhão hoje; e da telefonia celular, que já possui 25 milhões de usuários.
O vereador Félix Ribeiro (PPS), autor do convite à Anatel para enviar um representante à audiência, considerou positiva a participação de Valente. ‘‘Avançamos na discussão, mas não esgotamos o assunto’’, disse ele. Ele adiantou que será formada uma comissão, provavelmente já na próxima semana, integrada por vereadores e membros da comunidade para discutir o tema.

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