Os professores e os funcionários do Departamento de Saúde da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) estão desde anteontem trabalhando em ‘‘operação tartaruga’’. A medida foi aprovada no início da semana em assembléia do Sindicato dos Servidores e reduziu a jornada de trabalho das duas categorias para apenas duas horas por dia. Foi um protesto contra o atraso no pagamento dos servidores, que já completou dois meses.
A ‘‘operação tartaruga’’ entrou em funcionamento na mesma semana em que o prefeito Vicente Okamoto (PSDB), que está no cargo pela terceira vez, anunciou mais uma série de cortes de despesas. Desta vez, os cortes incluem até 25% do salário do prefeito, o que corresponde a cerca de R$ 2 mil. Também foram cortadas as gratificações que eram dadas aos secretários municipais. Com isso, cada um passou a receber até R$ 750,00 a menos.
A redução de despesas também inclui a diminuição do expediente, com a prefeitura trabalhando somente das 8 às 12 horas. As exceções são os departamentos de saúde e educação, que aderiram à operação tartaruga. Todas as obras em andamento foram paralisadas, incluindo reformas e ampliações de escolas. As horas extras foram proibidas e as compras só podem ser feitas com a autorização do prefeito.
A prefeitura também está estudando corte de servidores. Por enquanto é certa a demissão de cerca de 20 funcionários do Departamento de Esportes e da Saúde S/A, uma empresa de economia mista controlada pela prefeitura. Secretários municipais que são funcionários do Estado vão deixar de receber da prefeitura. Eles serão cedidos pelo governo estadual e receber apenas do Estado. É o que vai ocorrer, por exemplo, na Secretaria de Educação.
Demissões Novas demissões devem ser anunciadas nos próximos dias, depois que for concluído um levantamento feito em cada um dos departamentos da prefeitura. Entre os demitidos, devem estar médicos e dentistas. Também estão previstos os fechamentos de postos de saúde e de creches. ‘‘Ainda não chegamos ao fundo do poço’’, diz o prefeito. Ele tem em mãos estimativas de que a situação vai ficar ainda pior. ‘‘A arrecadação caiu demais’’, lamenta. Com os cortes, a prefeitura espera reduzir, de imediato, pelo menos R$ 60 mil por mês.

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