Sem reajuste, servidores do TJ ameaçam greve
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Servidores do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná se reuniram ontem em frente ao prédio do Tribunal, na capital, para cobrar a implantação do índice de 11,98%. Em assembléia geral realizada na última sexta-feira, os servidores da Justiça do Estado aprovaram o indicativo de uma possível greve, caso o presidente do TJ, o desembargador José Antonnio Vidal, não dê um parecer sobre a implantação da URV, que vem sendo negociada desde 2007.
O reajuste cobrado - 11,98% - é a diferença encontrada nos salários dos servidores judiciários depois que o governo federal mudou as moedas (de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor - URV) no processo de implantação do Real, em 1994. Em muitos estados, os tribunais de Justiça já pagaram a diferença aos servidores. No Paraná, o pagamento da diferença foi realizado para a magistratura em 1998.
O protesto de ontem foi organizado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná (Sindijus-PR) e pelo Comando de Greve e movimentou trabalhadores na capital e nas comarcas do interior. A previsão é de que, em Curitiba, a organização do protesto fique instalada em frente do Palácio da Justiça até sexta-feira. Na data, servidores decidem, por meio de uma nova Assembléia Geral, se entram ou não em greve. Tudo depende da resposta do TJ.
Os servidores do Poder Judiciário, através do sindicato, levaram ao presidente do TJ a proposta do pagamento imediato dos 11,98% e parcelamento dos atrasados, correspondente aos últimos cinco anos. Segundo José Roberto Pereira, coordenador-geral do Sindijus do Paraná, a mobilização tem a intenção de conscientizar os servidores de seus direitos. Quando aconteceu a implantação da URV, houve um prejuízo nos salários dos servidores que ainda não foi pago, explicou Pereira. Segundo ele, 5 mil servidores têm direito ao reajuste em todo o Estado.
O processo da URV no Paraná foi parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Julgado no dia 10 de setembro, declarou-se que o índice é um direito dos servidores garantidos por jurisprudência. Procurado pela reportagem, a assessoria de imprensa do TJ explicou que o órgão não vai se manifestar até que decisões concretas sejam tomadas.
Pereira informou que, em reunião na semana passada, o presindente do TJ-PR disse que vai esperar uma resposta do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para sanar o prejuízo dos servidores. Acredito que seja negociado. A idéia é que não precisemos entrar em greve, avalia Pereira. Caso aconteça, a paralisação está marcada para depois das eleições municipais.


