Curitiba - O depoimento do policial civil Délcio Augusto Rasera na CPI do Grampo foi adiado para a próxima quinta-feira. Rasera, preso desde o dia 5 de setembro, chegou ontem à Assembléia Legislativa acompanhado por policiais civis por volta das 17 horas, mas acabou saindo minutos depois, já que não havia número suficiente de deputados estaduais para dar início à reunião da CPI. A informação foi dada pelo presidente da CPI, deputado estadual Antônio Anibelli (PMDB). Formada originalmente por sete membros, a CPI ontem contava apenas com a presença do relator, Jocelito Canto (PTB), e com Duílio Genari (PP), além do presidente peemedebista. Para dar início à reunião, era necessário no mínimo quatro parlamentares.
Natálio Stica (PT), que estava presente minutos antes na sessão ordinária da Casa, teria saído para uma consulta médica. Miltinho Pupio (PSDB) não teria se justificado. Os outros dois membros, Luiz Carlos Martins (PDT) e Plauto Miró (PFL), já haviam anunciado desligamento da CPI, antes mesmo do início das investigações. Parlamentares de oposição, eles argumentam falta de interesse dos demais membros no caso Rasera, já que, ao ser preso, o policial civil estava cedido ao atual governo, do peemedebista Roberto Requião. Anibelli comentou que já foi feito um pedido ao presidente da Casa para que os dois parlamentares fossem substituídos, e ainda aguarda resposta.
Antes mesmo do comunicado feito por Anibelli sobre a falta de quórum, o advogado de Rasera, Luiz Fernando Comegno, solicitou o adiamento do depoimento porque a convocação não foi feita com 24 horas de antecedência, conforme determina o Código de Processo Civil. A convocação foi recebida por Rasera ao meio-dia de ontem. ''Ele não pôde se preparar para o ato, a defesa não teve tempo de instruí-lo. E ele também não conseguiu reunir os documentos que ele pretendia para enriquecer a CPI'', justificou Comegno, sem adiantar, porém, quais seriam os tais documentos.
Rasera é apontado pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão do Ministério Público (MP) do Paraná, como o ''comandante'' de um esquema de grampos telefônicos ilegais. Em depoimento à Vara Criminal de Campo Largo, onde o caso corre em segredo de justiça, Rasera teria dito que fazia apenas rastreamento de linhas telefônicas e que a PIC explorou politicamente o caso.
O advogado confirmou a presença do policial civil para a próxima quinta-feira, às 17 horas, mas já adiantou que, por ser réu, deverá permanecer calado quando achar que não deve responder às perguntas dos parlamentares. Hoje está previsto o depoimento do preso Isaque Pereira da Silva, que trabalhava numa empresa de telefonia e já confirmou que colaborava com Rasera nos grampos.
A CPI do Grampo deve apresentar um relatório até o dia 31 de janeiro. O recesso parlamentar, porém, começa a valer já na próxima semana.

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