Peça-chave na investigação que apura suposta extorsão contra o deputado federal Barbosa Neto (PDT), o deputado federal Alex Canziani (PTB) prestou depoimento ontem no qual ficaram mais dúvidas que respostas à elucidação do caso. O petebista confirmou a versão de Barbosa de que o ex-assessor Luciano Lopes (de Barbosa), lhe teria extorquido para não prejudicá-lo eleitoralmente. Ao mesmo tempo, o dinheiro - R$ 23 mil apreendidos com Lopes, na noite de segunda - serviria ainda para que ''a cidade soubesse'' quem teria financiado denúncias do ex-assessor contra o pedetista, meses atrás, na Receita Federal e na Procuradoria Geral da República. Outra testemunha a depor ontem no inquérito, o próprio advogado de Canziani e da coligação que tem Barbosa como candidato a prefeito, Maurício Carneiro, admitiu: ''Não confirmamos que existe a extorsão, mas tudo leva a crer que foi. A prisão do Luciano, porém, por si só, foi irregular'', disse.
Lopes foi preso em fagrante de extorsão, na segunda, quando deixava a residência de Canziani, na Zona Sul. A ação da PF e do Gaeco fora subsidiada por denúncia apresentada dias antes por Barbosa, que viria sofrendo as ameaças. Em nota, o presidente do PTB no estado afirmara que tinha tentado apenas uma ''reconciliação'' entre Lopes e Barbosa. Em depoimento de cinco horas prestado ao Gaeco, na terça, o ex-assessor - posto em liberdade provisória na última sexta - disse ter sido procurado ora para serviços de consultoria à campanha, ora para receber suborno de Barbosa.
Em coletiva ontem no escritório de Carneiro - que dividiu as mais de quatro horas de depoimento com Canziani e com o assessor parlamentar deste, Hélio Senedezi Jr -, o parlamentar afirmou desconhecer a ação da polícia, articulada por Barbosa, mas lembrou que ''o Barbosa estava tomando as medidas necessárias para o caso - seria importante que houvessee isso para caracterizar''. Por que na própria casa a transação? ''Pela falta de confiança do Luciano no Barbosa'', explicou. Adiante, ressalvou: ''Mas eu não levei dinheiro, esse dinheiro não é meu, não entreguei dinheiro para ninguém''.
Questionado sobre o porquê de Barbosa supostamente ter aceitado pagar algo que seria extorsão, Canziani deu uma explicação complementar: ''Acredito que se ele tivesse feito isso num momento posterior, teria conseguido outras informações muito importantes não só pra elucidar esse caso, mas de quem estaria por trás disso: o próprio Luciano falaria quem o havia financiado nas denúncias anteriores''.
Citado no depoimento de Lopes como advogado que o teria visitado na primeira noite de prisão, no 2º Distrito Policial, Carneiro comentou que teria sido chamado pelo próprio. Indagado se é factível para o denunciado contactar, para defesa, o advogado da parte contrária, resumiu: ''Advocacia é relação de confiança''.
Sobre a prisão do ex-assessor, o advogado foi taxativo: ''Acredito que foi irregular a forma da prisão, a extorsão estaria no momento da cobrança''.

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