Sem propaganda, prefeituráveis de Maringá admitem prejuízo
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Edson Ferreira <br> <br> Reportagem Local 
Candidatos à Prefeitura de Maringá (Norte) admitem prejuízos para a campanha com as restrições impostas pela lei municipal que proíbe a veiculção de propaganda eleitoral em logradouros públicos. Sancionada no mês de julho pelo prefeito interino Carlos Roberto Pupin (PP), também candidato à reeleição, a legislação descreve como locais proibidos os passeios públicos, as praças, os canteiros centrais das avenidas e mobiliário urbano, onde está vedada a colocação de ''placas, painéis, cavaletes, cartazes, banners, estandartes, balões, bolas, bonecos e similares''.
Em vigor há cerca de dez dias, a lei é apontada como ''restritiva'' e ''antidemocrática'' até pelos candidatos que se consideram menos atingidos. Dos oito postulantes ao Executivo de Maringá ouvidos pela FOLHA, apenas Hércules Ananias de Souza (PSDC), além do prefeito, aprova a lei. ''Não deve ter campanha na rua. A campanha deve ser pela imprensa e conversando com as pessoas.'' Ele disse que a lei torna a disputa mais justa. ''Tem candidato com dinheiro que já preparava cinco mil cavaletes para pôr na cidade.''
Opinião diferente tem a candidata Maria Iraclézia (DEM). Por meio de nota encaminhada à redação, ela disse que ''a aprovação de uma mudança nas regras do jogo depois que a campanha começou se caracteriza como imoral e tendenciosa'' e prejudica os partidos e coligações com menor tempo em televisão e rádio. Segundo Iraclézia, ''o prefeito ganhou por um lado, por ter maior tempo de rádio e TV, mas perdeu muito ao mostrar que pode lançar mão do poder para beneficiar seu partido e sua campanha''. A coordenação da campanha de Iraclézia admitiu que a lei municipal alterou a programação de marketing, mas preferiu não comentar as novas estratégias.
De acordo com o coordenador da campanha de Wilson Quinteiro (PSB), Maurício Borges, a lei atrapalhou a comunicação com os eleitores, na medida em que o partido já tinha planejado investir no contato com a sociedade em ambientes públicos. Ele também considera que ''foi um ato deliberado do atual prefeito, que tem maior tempo de TV''. Borges afirmou que a proibição interessa ao prefeito porque ''sufoca'' a disputa nas ruas.
O presidente do PT em Maringá e coordenador da campanha do deputado estadual licenciado Ênio Verri, Marino Gonçalves, também afirmou que as proibições beneficiam o atual prefeito e candidato. ''A lei impede o exercício da democracia entre os candidatos.'' Segundo ele, ''a lei eleitoral já regula o setor''.
Débora Paiva (PSOL) afirmou que vai buscar os votos com a ajuda dos militantes numa campanha barata e por isso a nova lei maringaense não vai interferir no seu planejamento. ''Não somos atingidos, mas quem tem dinheiro ficou barrado. Entendo que a lei é inconstitucional.''
O candidato do PV, Alberto Abraão, afirmou que o partido descartou propaganda ''com muita poluição visual'', portanto, não é diretamente atingido. ''Mas também acho a lei restritiva.'' Da mesma forma, o presidente do PMN, Miro Falkemback, entende que a lei não afeta a campanha do Dr. Batista, ''de poucos recursos'', embora considere a lei ''antidemocrática''. ''Em eleição, só não proibiram ainda pedir voto.''
O prefeito Carlos Roberto Pupin (PP) disse, por meio da assessoria de imprensa, que sancionou a lei aprovada pela Câmara por respeito aos vereadores e por entender que ela organiza a propaganda na rua. Ele nega, porém, que a regra seja ''interessante'' para ele. Quanto às acusações de favorecimento por ter a maior coligação e o maior tempo na TV, a assessoria negou a intenção de prejudicar os concorrentes e comentou que ''o grupo soube articular e conseguiu todo esse apoio''.


