Sem oposição, CPI do Grampo é instalada
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende apurar uma suposta ligação do Executivo com um esquema de interceptações telefônicas clandestinas foi instalada ontem na Assembléia Legislativa (AL) pelo vice-presidente da Casa, deputado estadual Pedro Ivo Ilkiv (PT). O líder do PMDB na Casa, Antônio Anibelli (PMDB), preside a CPI. O relator é o deputado Jocelito Canto (PTB) e o vice-presidente é o petista Natálio Stica, ambos pertencentes à base de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB).
A instalação aconteceu no mesmo dia em que os dois únicos membros da CPI que pertencem à oposição - Luiz Carlos Martins (PDT) e Plauto Miró Guimarães (PFL) - anunciaram que não irão participar das investigações. O argumento é de que a CPI não teria tempo para investigar os últimos 12 anos do Executivo (a atual gestão Requião e as duas gestões anteriores do ex-governador Jaime Lerner).
''Nós teríamos até o dia 15 de dezembro (quando terminam as sessões extraordinárias) para investigar 12 anos. Até chegar no Rasera vai ser preciso mais uns quatro mandatos'', ironizou Martins, ao se referir ao policial civil Délcio Rasera, que estava cedido ao Palácio Iguaçu e foi preso no dia 5 de setembro pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado Ministério Público (MP). Rasera, segundo denúncia do MP, seria o ''comandante'' de um esquema de grampos e se tornou o foco da oposição.
Em função da prisão do policial civil, os parlamentares de oposição resolveram propor uma CPI para investigar uma suposta ligação do Executivo com o esquema. Os governistas, porém, conseguiram aprovar uma CPI que pudesse investigar também o governo Lerner, já que o esquema de grampos estaria funcionando há pelo menos cinco anos.
O relator lamentou a saída da oposição e ironizou a declaração do líder da oposição na Casa, Valdir Rossoni (PSDB), que afirmou na semana passada que a CPI acabaria em pizza. ''Só acabará em pizza se for servida na casa dele'', disse o relator. Anibelli disse que não acredita que a CPI irá perder sua legitimidade, mas que ainda espera a participação da oposição. Segundo ele, o presidente da Casa poderia indicar outros parlamentares para integrar a CPI.


