O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), admitiu ontem aderir à proposta de moratória da dívida do Estado com a União, de R$ 21,5 bilhões, caso sua reivindicação de reabertura das negociações dos débitos não seja aceita pelo governo federal. Garotinho ressaltou, porém, que sua prioridade é tentar reabrir o diálogo sobre o assunto com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, pois considera impossível para o Rio honrar os termos da negociação fechada pelo governo estadual anterior, que compromete 13% da receita estadual.
‘‘Se o ministro Malan tiver uma posição flexível, quiser dialogar com os governadores, vamos dialogar’’, afirmou Garotinho. ‘‘Agora, se ele disser que não tem diálogo, aí eu não sei, às vezes a gente não gosta de operação, mas tem que ser operado.’’ O governador disse ser, ‘‘inicialmente contra a moratória’’ e que, por isso, sua posição em relação a outros governadores no caso é de cautela. Segundo Garotinho, não se pode queimar etapas. A primeira, afirmou, é a do diálogo, pois um governador ‘‘não pode dizer de saída que não pagarᒒ.
O Rio quer também uma auditoria nos débitos e que sua renegociação não comprometa a capacidade de investimento do Estado. ‘‘Senão, daqui a pouco, vou ser governador apenas para pagar dívida e salário’’, afirmou. Garotinho assinou ontem um ofício para Malan, em que pede a reabertura das negociações, que será levado ao ministro por uma comissão de parlamentares.
O governador fluminense disse ainda que, para pagar a dívida do Estado, quer as mesmas condições de São Paulo, que, afirmou, foi ‘‘privilegiado’’ com um ano de prazo para iniciar o pagamento.
Garotinho contou ter discutido a situação da dívida dos Estados com mais de dez governadores, entre eles o de Minas Gerais, Itamar Franco, defensor da moratória. De acordo com o pedetista, 90% de seus colegas têm posição idêntica à sua: tentar, antes, reabrir o diálogo, como alternativa a medida mais forte.

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