Sem fôlego, Prefeitura estima Orçamento de R$ 3,6 bi em 2026
Crescimento é tímido em comparação com 2025 e tenta compensar ‘rombo’ orçamentário de quase R$ 300 milhões identificado nas contas públicas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2025
Crescimento é tímido em comparação com 2025 e tenta compensar ‘rombo’ orçamentário de quase R$ 300 milhões identificado nas contas públicas
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

O secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, apresentou nesta segunda-feira (14) a audiência pública da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, que será protocolada na CML (Câmara Municipal de Londrina) nesta terça (15). As projeções para o próximo ano indicam que há pouco fôlego nas contas da Prefeitura de Londrina, que hoje vive um cenário de contingenciamento de gastos.
A estimativa é que Londrina tenha uma receita de pouco mais de R$ 3,6 bilhões em 2026, um crescimento da ordem de 5% em comparação com 2025, cuja LOA (Lei Orçamentária Anual) projeta quase R$ 3,5 bilhões. A previsão do Executivo é que os gastos com pessoal e encargos sociais cheguem a R$ 2,3 bilhões no próximo ano.
A LDO é o primeiro passo para a elaboração do Orçamento e, neste ano, já indica algumas das metas da Prefeitura que estarão presentes no PPA (Plano Plurianual) 2025-2029, que começará a ser discutido em audiências públicas a partir de 24 de abril. A consolidação do Orçamento ocorre no segundo semestre, com a apresentação da LOA.
As diretrizes estabelecidas pela Prefeitura têm seis eixos: Saúde e Bem-Estar; Educação e Promoção Cultural; Desenvolvimento Econômico, Inovação e Desburocratização; Segurança Pública e Desenvolvimento Humano; Gestão Inteligente, Transparente e Inovadora; e Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Rambalducci ressaltou que Londrina não terá “fôlego nenhum” no próximo ano e que a economicidade e a produtividade precisarão nortear as decisões do Executivo. A administração identificou um rombo orçamentário de quase R$ 300 milhões nos cofres públicos, motivando o contingenciamento de 30% da verba de custeio.
“É preciso aumentar a produtividade de cada real que cai na Prefeitura. Se ele gera R$ 1,50, vai ter que gerar R$ 1,75 para dar conta desses custos mais elevados. Não tem jeito, porque a população de onde sai esse dinheiro é a mesma. Nós temos um processo de inflação que pode elevar o número de maneira fictícia, mas, na verdade, os recursos continuam curtos”, frisa o secretário.
SECRETARIADO
Enquanto não há sinais de como será a reforma administrativa planejada pelo prefeito Tiago Amaral (PSD), a LDO de 2026 prevê recursos separados para as pastas de Assistência Social, da Mulher e do Idoso, que devem ser unidas na futura Secretaria de Família e Desenvolvimento Social. Segundo Rambalducci, o Orçamento está “respeitando a separação que temos hoje”.
“A reforma administrativa que porventura venha a ser adotada não vai ter impacto no Orçamento. Ela pode, sim, ganhar por causa da sinergia entre as pastas, mas vamos colocar separadas”, diz o secretário, que entende que podem ser evitados “gastos em duplicidade”.
CONTINGENCIAMENTO
Questionado pela FOLHA, o secretário garantiu que o contingenciamento das verbas de custeio, cerca de R$ 30 milhões por mês, continua por tempo indeterminado. Os problemas mais graves foram gerados pelo transporte coletivo, com um gasto de R$ 109 milhões a mais que o esperado, e na arrecadação, que foi superestimada em cerca de R$ 90 milhões.
Rambalducci destacou que isso deve ser enfrentado com a contenção dos gastos, redução de horas extras e aumento da produtividade.
“Teremos que fazer algumas equações, sem dúvida nenhuma. Para o Orçamento de 2026, nós já levamos esses custos que precisarão ser ressignificados”, afirma o secretário. “Várias contas estão contingenciadas e vamos fazer o descontingenciamento à medida da necessidade de cada secretaria.”
Mesmo com um Orçamento apertado no ano que vem, Rambalducci reforça que ele precisa atender às demandas do município.


