Vereadores de Campo Mourão estão reclamando a falta de espaço físico do prédio que abriga a Câmara Municipal. O maior problema é a falta de salas para que os vereadores atendam ao público. Não há nenhuma para isso. O resultado são cenas engraçadas como atendimentos na calçada ou mesmo numa mesa para telefone, além de bancadas de partidos rivais atuando juntas.
‘‘Foi a única forma que eu encontrei’’, justificou o vereador Isidoro Moraes (PSL), que despacha de uma mesa de 50 centímetro quadrados, própria para telefone. Ele colocou a mesa num canto entre a parede e um armário na sala da assessoria de bancada do PSL, onde ficam três escrivaninhas ‘‘normais’’ com os três assessores do partido.
Além de render ao vereador dores nas pernas no final do dia, a improvisação de Moraes também não agrada o público. ‘‘As pessas às vezes querem ter uma conversa reservada com o vereador’’, explicou. Ele ameaça instalar uma escrivaninha na calçada, em protesto, caso não haja uma solução rápida.
Atendimento na calçada, no entanto, não é novidade na Câmara. O vereador Celso Hruschka (PMDB) é visto com frequência atendendo pessoas na calçada em frente à Câmara. Em pé. ‘‘Não tem outro jeito’’, disse. Mas não é só isso. Com 17 vereadores e 15 assessores de bancada, o Legislativo também encontra dificuldades para dar espaço a todas as assessorias. Assim, os ‘‘rivais’’ PMDB e PFL, por exemplo, ficam juntos.
‘‘Aqui o senador Roberto Requião (PMDB) e o governador Jaime Lerner (PFL) não podem brigar’’, brincou Hruschka. Em outra sala, os assessores do PTB, PSB e PL também têm que dividir o mesmo espaço. O lugar também é reduzido no plenário, onde cabem menos de 40 pessoas sentadas. ‘‘Se o público das sessões aumentar, não terá onde ficar’’, disse o vereador Salvador Martins (PSL).
O presidente da Câmara, Izael Skowronski (PPS), reconhece o problema e disse que é preciso improvisar. ‘‘Teríamos que construir uma Câmara nova, mas isso é muito caro’’, frisou. O prédio atual foi sede do Fórum e tem mais de 30 anos. Para amenizar a situação, a prefeitura vai repassar para a Câmara as salas da atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

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