'Sem dúvida o processo fortalece a Dilma'
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Preterido na escolha como vice de José Serra (PSDB) à Presidência da República, o senador Alvaro Dias (PSDB) admitiu que a pressão do DEM para o anúncio do deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), à vaga, foi decisiva em uma posição que, avalia, ''fortalece o palanque de Dilma (Rousseff, PT)'' no Paraná. A análise de Alvaro, feita ontem à noite à FOLHA, se refere ao fim do que chamava de ''unidade paranaense'', a qual pretendia arrebanhar o apoio do irmão, o senador Osmar Dias (PDT), para a campanha de Beto Richa (PSDB) ao governo do Estado. Osmar confirmou ontem de manhã que vai disputar com Beto a sucessão estadual.
Se por um lado considera que o PSDB não sai fortalecido nacionalmente, com a concessão ao DEM, por outro, Alvaro fez questão de destacar o ''apreço'' do tucanato a seu nome. ''Fui valorizado como nunca pelo PSDB: o partido lutou para que eu fosse o vice.''
Conforme o senador, a possibilidade de mantê-lo como vice de Serra e, dessa forma, minar a campanha petista no Paraná - uma vez que ele e Osmar, propalava, não ficariam em lados opostos - teria desaparecido na noite de anteontem. ''Os argumentos do DEM se tornaram mais consistentes e o PSDB perdeu força, diante deles, como pela intransigência do (Carlos) Lupi (presidente nacional do PDT), que, depois que meu nome foi colocado, minou a aliança do PDT com o PSDB no Paraná'', disse Alvaro, que completou: ''O PDT ameaçava intervir na executiva estadual se o Osmar aceitasse a coligação (com os tucanos). A pressão sobre ele foi insuportável, além de ter havido um verdadeiro mutirão de lideranças do governo, ligadas a PMDB, PT e mesmo o PDT o pressionando porque meu nome estava posto''. Sobre o palanque da ex-ministra de Lula no estado, resumiu: ''Sem dúvida que nesse processo todo quem ganhou foi a Dilma, que passa a ter palanque no estado. E, ao contrário do que imaginam, meu nome, em vez de trazer o Osmar, o afastou. De cenário fácil que tínhamos, agora vai haver uma disputa equilibrada'', acredita.
Indagado se vai participar da coordenação de campanha de Serra - a exemplo do que admitia após perder a indicação para o governo ao ex-prefeito de Curitiba -, o senador refutou a possibilidade. ''Vamos ver o que o Serra quer que eu faça, mas prefiro não assumir função administrativa, não: acho que psso ser mais útil defendendo as qualidades do candidato e o proselitismo partidário''.


