Uma eleição marcada por chapa única, pelo continuísmo e pelos discursos de unificação marcou ontem a sucessão da Presidência da Câmara de Vereadores de Londrina. O biênio 2007/2008 que completa a 14ª Legislatura terá no comando da Mesa Executiva o petebista Sidney Souza (PTB), atualmente no terceiro mandato.
  Representante da Zona Oeste, com formação em Ciências Contábeis e Direito, Souza viu naufragarem as candidaturas de três colegas. A que se mostrava mais disposta ao bate-chapa, e que caiu por terra apenas ontem, foi a do vereador mais antigo do Legislativo londrinense, Renato Araújo (PP), ex-presidente da Casa. Oficialmente, o argumento do decano é que a chapa dele não teria arregimentado número suficiente de integrantes - cinco, ao todo. O grupo de Souza - composto basicamente por integrantes da Mesa atual, liderada pelo presidente Orlando Bonilha (PL) - recebeu 15 votos. Licenciado para tratamento médico, Tercílio Turini (PPS) se ausentou da votação. Sandra Graça (sem partido) e Marcelo Belinati (PP) declararam que votaram em branco.
  Desde que a candidatura do petebista foi lançada no Plenário, no início do mês, os pedidos de Bonilha, presidente há quatro anos, eram todos no sentido de não haver mais que uma chapa no páreo. O argumento: a disputa abriria ‘‘feridas difíceis de cicatrizar depois da eleição’’. Ontem, o novo presidente afirmou que ‘‘não se precisou fazer nenhuma composição com um ou outro vereador’’.
  ‘‘Tanto que até hoje (ontem) mesmo o Bonilha disputava a 1ª secretaria com a Maria Ângela (Santini, do PT), e só ganhou porque é meses mais velho que ela’’, desconversou. Sobre as relações com o prefeito Nedson Micheleti (PT), Souza afirmou que ela será de parceria, mas garantiu que haverá cobrança. A independência entre os poderes também deu a tônica às conversas que precederam a disputa de ontem. ‘‘Vamos tentar promover sessões nas regiões da cidade, para que haja participação do cidadão nem que seja de forma itinerante’’, prometeu.
  O petebista rebateu a possibilidade de que a chapa vencedora represente, de certa maneira, o continuísmo da Mesa Executiva. ‘‘Até 30 minutos atrás, havia disputa’’, definiu. A respeito dos votos em branco, resumiu: ‘‘Quem votou assim é do grupo do concorrente do atual prefeito’’.
  Se depender do discurso
da vitória, em Londrina não
haverá equiparação salarial dos vereadores em relação
aos deputados estaduais e federais, no ‘‘efeito cascata’’ gerado peo aumento de R$ 24,5 mil da folha dos congressistas. ‘‘Esse aumento defendido por deputados traidores depõe contra todo o segmento político. Se é hora de unir forças em torno de salário, é na verdade pela correção salarial do funcionalismo municipal de Londrina’’, discursou.
  A posse da Mesa Executiva acontece dia 2 de janeiro. As sessões ordinárias serão retomadas no mês seguinte.

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