Arquivo FolhaPé no freioJosé do Carmo, presidente da AMP: momento é de pôr ordem na casaO eleitor que esperava ver concretizadas as promessas de campanha de seus candidatos já no início das administrações vai ter que esperar mais um pouco. Os prefeitos de praticamente todo o Estado vão adiar para o ano que vem a execução dos planos de campanha por causa da crise financeira. A constatação é do presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB). Segundo ele, 95% das 399 prefeituras têm dívidas com folhas de pagamento e fornecedores. ‘‘Os que não tem uma, duas ou até três folhas em atraso estão fazendo uma verdadeira ginástica para pagar os compromissos’’, explica.
Ele diz que a maioria dos prefeitos vai levar todo este ano para ‘‘pôr a casa em ordem’’. ‘‘Só em seguida é que eles poderão começar a executar os programas de governo’’, emenda. Para Garcia, a inversão do processo faria das administrações um desastre. ‘‘Quem fizer isso com certeza sairá com mais dívidas do que assumiu’’, alerta.
O presidente da AMP, prefeito de Cambé pela segunda vez, lembra que antes da implantação do Plano Real, em 1994, as prefeituras conseguiam obter uma terceira receita, fruto das aplicações financeiras que davam impulso para construção de obras e implantação de projetos. Hoje, são apenas duas - recursos próprios e receitas transferidas. ‘‘É necessário planejar bem e usar a velha fórmula de não gastar mais do que se arrecada’’, ensina.
Ele reconhece que programas estaduais e federais a fundo perdido, por exemplo, estão cada vez mais escassos. Na maioria dos casos, os programas exigem contrapartida dos municípios. ‘‘E cada um tem que encontrar alternativas internas para diminuir custos com a folha de pagamento e dirigir ações administrativas para o que é realmente fundamental, dispensando os desperdícios’’, recomenda.
Enquanto não sai a reforma administrativa que ele considera essencial, Garcia alerta que os municípios devem encontrar caminhos viáveis para mudar a rota da administração pública. ‘‘Abandonar o paternalismo é essencial’’, garante.

mockup