Uma sucessão de prazos não cumpridos - quando estabelecidos - e de promessas de pagamento não efetivadas se tornaram um verdadeiro enrosco para a administração do prefeito Nedson Micheleti (PT) quando a questão é a duplicação da Rua Goiás, área central de Londrina. Enrosco para a Prefeitura, engodo na avaliação de proprietários que terão os lotes da área desapropriados.
A obra não é exatamente a menina dos olhos da atual gestão se comparada, por exemplo, a outras de grande porte como sinaliza o Arco Norte, em parceria com o Estado. Afinal, a duplicação será feita ao longo de 650 metros compreendidos entre a Rua Michigan e a Avenida Juscelino Kubitschek. Por outro lado, nos últimos meses não faltaram especialistas em trânsito que considerassem a modificação viária essencial para adequar o ponto ao fluxo intenso de veículos da localidade.
Quase nove meses após a assinatura do convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF) que disponibilizou os recursos ao Município, em outubro de 2005, nenhum proprietário ainda foi ressarcido pela desapropriação - medida estabelecida já em dezembro passado pelo Decreto Municipal 665. Na ocasião, as autoridades municipais estabeleciam início das alterações na malha para fevereiro deste ano. Em janeiro, até o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, veio a Londrina destacar o investimento federal de R$ 6,5 milhões para um conjunto de seis obras de infra-estrutura urbana; entre as quais, a duplicação da Goiás. Mesmo assim, parte da contrapartida municipal de 40%, referente ao pagamento dos lotes desapropriados ainda não foi paga, e é dessa etapa que depende a assinatura da ordem de serviço obrigatória para a verba federal chegar ao caixa.
Advogada e irmã de um empresário de Minas Gerais dono de área desapropriada, Rosana Camarani reclama da burocracia e da falta de objetividade na definição de prazos. ''Em janeiro recebemos uma correspondência para tratar do assunto na prefeitura. Aceitamos a avaliação que fizeram, mas aí começou um jogo de empurra-empurra quando vinha a questão do pagamento'', conta a advogada. De acordo com ela, a conversa teria migrado da Secretaria Municipal de Obras para a pasta da Fazenda. A partir daí, as respostas parecem ter escasseado. ''Com muita dificuldade falei com o (secretário Wilson) Sella (da Fazenda), que não estabeleceu previsão, disse que a verba dependia de liberação no Governo Federal, mas que isso estaria sendo dificultado pela 'oposição''', declara, para completar, com desalento: ''A gente se sente enganado, desgastado. Já disse ao meu irmão para não contar mais com esse dinheiro; evita mais frustações''.
Procurador de um empresário do Mato Grosso dono de terreno no local, Vitor Mendes também reclama da morosidade para resolver o imbróglio. ''Avaliaram em setembro, nos chamaram em janeiro, aceitamos, até assinamos já a escritura. E depois de toda aquela publicidade em torno da obra, acreditamos que seria rápido, mas tudo tem um limite. Já cogitamos pedir na Justiça a correção do valor proposto (cerca de R$ 200 o metro quadrado, diz) e impedir a posse da Prefeitura'', afirma. Segundo Mendes, Sella condicionou à liberação em Brasília para iniciar o pagamento aqui. ''Acho que esse argumento dele está furado, pois isso é contrapartida do Município. Me sinto enganado'', analisou.
Outro descontente é o comerciante Miguel Nolasco de Carvalho, dono de duas propriedades do lado desapropriado. Ele também não questionou o valor avaliado, mas reclama da demora e da expectativa criada no início do ano. Tanta expectativa que ele resolveu expandir os negócios da família com a compra de novas máquinas para sua panificadora. Resultado: ''Sem o dinheiro da desapropriação, tive que vender carro e moto para ir tocando. Gastei R$ 3 mil para colocar as documentações dos imóveis em dia, fui pressionado para quitar IPTU parcelado e agora não tenho a verba, não posso vender as casas, nada. ' É uma falta de respeito, fora que parece um engodo, um oba-oba eleitoral''.

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