Se até agosto passado a previsão da Sanepar era investir em Londrina até 2010 os R$ 96 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ontem a estatal resolveu antecipar todo o aporte para o último ano de mandato do prefeito Nedson Micheleti (PT). O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Stênio Jacob, que, assim como Nedson, minimizou o fato de ambos ainda não terem assinado o contrato que prevê a concessão dos serviços de saneamento, coleta e tratamento de resíduos. Meses atrás, o prefeito exigia rapidez da Sanepar em uma definição, mas, ontem, admitiu a possibilidade de, pelo tempo que for necessário, a tarefa continuar sendo executada mediante decretos emergenciais que se arrastam desde dezembro de 2003.
Em relação à verba do PAC - R$ 20 milhões para ampliação do fornecimento de água, e R$ 76 milhões para a da rede de esgoto -, Jacob afirmou que as obras que serão originadas dela ampliarão o percentual de atendimento da coleta e tratamento de esgoto dos atuais 84% para 97%. A verba federal vem por meio da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e tem previsão de investimento em 90 bairros das regiões leste, oeste, norte e sul da cidade, a cerca de 71 mil famílias.
''Um índice desse (97% de rede de esgoto) é de Primeiro Mundo - nos próximos cinco a 10 anos, e como já teremos pronta toda a infra-estrutura necessária, podemos atingir os 100%'', discursou Jacob. Questionado sobre a antecipação da meta já para 2008, e não mais até 2010, o presidente da estatal resumiu: ''Se há o recurso e os projetos, não tem por que esperar''.
Já a respeito do novo contrato de concessão em Londrina, Nedson fez questão de destacar, pouco antes da coletiva, que o assunto não teria sido discutido na reunião de ontem. ''Isso está sendo tratado pelos jurídicos das duas partes. Mas como sabemos que poderão vir questionamentos pelo setor privado, queremos ter absoluta segurança jurídica do contrato que será firmado.''
Já o presidente da estatal alegou que, ''tão logo o contrato esteja ponto, assinamos''. Mas não definiu prazos - ao contrário de expectativa anterior de firmar ainda este ano. Por outro lado, Jacob sinalizou: ''Temos amparo de legislação federal nos dando prazo até 2010 para investir, mesmo sem a concessão, desde que um acordo esteja em andamento''. ''Estamos cobrando celeridade, mas a segurança jurídica, agora, é o mais importante'', reforçou o vice-prefeito, Luiz Fernando Pinto Dias (PT).

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