A vereadora Elza Correia (PMDB), líder do prefeito na Câmara de Londrina, solicitou ontem a retirada de pauta por tempo indeterminado do projeto de lei do Executivo que cria 21 cargos na Procuradoria-Geral do Município (PGM), ao custo de R$ 160 mil mensais. Soa quase como uma reprimenda ao departamento que deu parecer contrário ao projeto do Angeloni mesmo quando órgãos do município, como o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), e a própria líder, defendiam a proposta.
O apontamento jurídico levou o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) a adotar a ''sanção tácita'', ou seja, não vetar nem sancionar, deixando à Câmara a responsabilidade de promulgar a matéria. Kireeff disse que não estava convencido da ilegalidade apontada pela PGM. O presidente do Legislativo, Rony Alves (PTB), autor do projeto, promulgou ontem a lei municipal 11.847/2013, que altera o zoneamento para o Angeloni, e reafirmou não reconhecer qualquer ilegalidade no projeto.
Para Elza, ''não há clima neste momento'' para votar novos cargos para a PGM. ''Estou retirando o projeto de pauta por tempo indeterminado porque não há clima neste momento entre os vereadores. Os colegas já não eram muito simpáticos à proposta e, agora, com este episódio do Angeloni, acredito que não haja clima.'' A vereadora afirmou que mais à frente convocará o procurador-geral para explicar o projeto. ''Ele deverá justificar a necessidade dos cargos assim como fizeram os secretários de Saúde e de Educação.''
Rony, autor do projeto do Angeloni e crítico da PGM, disse que votaria contrariamente à criação de cargos, ''mas não por represália''. ''Outros órgãos têm necessidades mais prementes, precisam ser aparelhados antes, como o Ippul, Secretaria de Obras e Codel. Se forem criados cargos para eles, então votaria mais cargos para a PGM.''
O procurador-geral, Zulmar Fachin, evitou polemizar e enfatizou a necessidade de novos funcionários. ''Houve aumento significativo na quantidade de processos e de pareceres. Precisamos de mais pessoas, mais computadores, mais estrutura'', declarou. ''Acho que são coisas distintas.'' O procurador também preferiu não comentar o desgaste próprio ou de seu departamento em razão do parecer contrário ao projeto do Angeloni. ''Acho que não devo fazer considerações sobre isso.''

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