Depois do adiamento das eleições municipais para novembro, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná se prepara para se adaptar à segunda grande mudança no processo, que será a retirada da biometria. O Estado foi pioneiro na implementação deste sistema e um dos primeiros do país a concluir 100% do cadastro digital de cerca de 8 milhões de eleitores. Contudo, com as exigências das autoridades sanitárias, terá que abrir mão da ferramenta para evitar o contágio do novo coronavírus. Nestes 10 anos de implementação do sistema biométrico, o Paraná investiu aproximadamente R$ 24 milhões para inclusão dos eleitores no procedimento digital que deverá ser dispensado nas eleições deste ano.

Imagem ilustrativa da imagem Sem biometria, TRE prevê redução de 70% do tempo do eleitor na hora do voto
| Foto: Gustavo Carneiro/7-10-2018

O veto para biometria na eleição municipal partiu da decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, na quarta-feira (15). De acordo com o diretor-geral do TRE-PR, Valcir Mombach, a retirada da biometria poderá reduzir em 70% o tempo do eleitor nas salas de sessões e diminuir as aglomerações e filas de eleitores. "O Paraná foi um dos pioneiros neste cadastro biométrico, mas por razões óbvias de controle do contágio teremos que retirá-lo", disse

Questionado sobre a segurança do voto sem o procedimento biométrico, Mombach alertou que o eleitor deverá levar um documento original com foto nos dois turnos das eleições, e garantiu que isso não irá aumentar fraudes. "O eleitor terá que apresentar um documento com foto e assinatura que deverá bater com o caderno de identificação." A biometria foi introduzida para combater fraudes e dirimir as críticas sobre as suspeitas relativas à lisura das urnas eletrônicas. Outra opção é baixar o aplicativo com e-título. "Estamos fazendo campanha neste sentido porque lá tem a foto do eleitor e todos os dados cadastrais que garantem boa segurança ao voto."

Horário estendido

Nos próximos dias, o TSE também deve decidir se amplia o horário que os colégios eleitorais deverão ficar abertos, que atualmente é das 8h às 17h, para 12h ou 13h de votação. Uma dificuldade para isso seria a necessidade de aumentar a carga horária dos mesários, mas a alternativa poderia diminuir o fluxo de eleitores. Para o diretor do TRE-PR, outra hipótese já sugerida no meio político de ampliar para dois dias de votação seria completamente inviável para a logística do pleito. "São muitos locais e uma movimentação muito grande de servidores e mesários. Então já está descartado. Vamos esperar a decisão de estender. Mas considerando que são apenas dois votos (prefeito e vereador), retirando a biometria, já consideramos que se for aumentar uma hora a mais, no máximo até às 18 horas já seria suficiente."

Segundo o diretor, o TRE já estava preparado para realizar a eleição em outubro, mas com o adiamento para novembro, o Tribunal ganhará mais tempo para convocar e treinar mesários voluntários para o pleito. O primeiro turno será no dia 15 de novembro, e o segundo, nas cidades onde for necessário, em 29 de novembro. No Paraná, as eleições serão realizadas em 4.800 locais de votação espalhados nos 399 municípios.

mockup