Sem Belinati, Nedson vira alvo preferido em debate
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O ex-prefeito Antonio Belinati (PSL) e o atual, Nedson Micheleti (PT), foram os alvos prediletos senão os únicos dos adversários no segundo debate em TV com os prefeituráveis de Londrina. O evento foi realizado e transmitido ao vivo pela TV Tarobá, na sede da emissora, em cerca de três horas de programa. O primeiro aconteceu mês passado, pela RIC CNT.
O debate foi dividido em cinco blocos. Em dois deles, sete dos oito candidatos à chefia do Executivo londrinense tiveram a chance de formular e responder perguntas entre si. Belinati não compareceu e sua assessoria não justificou a ausência.
Se o ponto forte não foi necessariamente a apresentação de propostas, as críticas ao candidato à reeleição deram o tom desde o início, canalizadas nos confrontos de Alex Canziani (PTB), Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) em relação a Nedson. Um desses pontos foi a municipalização ou não dos serviços de água e esgoto hoje a cargo da Sanepar. ''Se o prefeito não sabe, eu tenho a decisão sobre as 43 mil casas sem rede de esgoto na cidade'', disse Hauly, prometendo em um eventual mandato multar a Sanepar em ''R$ 1 milhão ao dia'' caso as fossas continuem a existir. ''Essa questão já está decidida. Temos recursos estaduais e federais liberados para o saneamento; está sendo feito um belo serviço'', devolveu Nedson.
A troca de farpas ao petista também ocorreu indiretamente, na abordagem entre Hauly e Alex. Aqui, o mote preferido foi a instalação da indústria farmacêutica alemã Hexal, em Cambé, inaugurada há cerca de duas semanas. ''O protocolo de intenções com a Hexal foi assinado em 2001; tenho que dar os parabéns ao prefeito de Cambé'', ironizou o candidato do PSDB. Alex seguiu o colega: ''O prefeito mostrou incompetência na desapropriação da Dixie Toga. Se eu for eleito, não vou ter preguiça (em trazer novas empresas a Londrina)'', alfinetou. Já Barbosa Neto foi mais suscinto, em resposta a Alex: ''Londrina não aguenta mais quatro anos de administração Nedson Micheleti. Aliás, o PT e o ex-prefeito (Belinati) são farinha do mesmo saco'', disparou.
As críticas renderam dois direitos de resposta ao prefeito. No primeiro, Nedson frisou que a Hexal foi acordada com o prefeito de Cambé, Zé do Carmo (PTB), em 2000. ''Tanto que ele usou isso na reeleição dele'', apontou. No segundo, frisou ter participado do movimento pela moralidade ''Pés Vermelhos Mãos Limpas''. Em outra oportunidade, porém, Nedson não respondeu a Hauly sobre o aluguel do prédio da Policlínica Municipal, veiculado nos programas do PT como obra da atual administração. ''É mais um factóide. Não se construiu nada, mas alugou'', comentou Hauly. ''Ampliamos o Programa Saúde da Família (PSF) e a contratação de médicos. Agora que a Policlínica deu certo, levaremos uma a cada região'', argumentou o petista.
A polarização perdeu um pouco de espaço com a candidata do PMDB, Elza Correia, que direcionou o discurso contra Belinati em abordagens a Naudemar Nascimento (PV), Félix Ribeiro (PMN) e Nedson. Como em entrevista concedida à Folha, na semana passada, a peemedebista voltou a criticar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve Belinati na disputa. ''Foi um absurdo. Se ele foi cassado (pela Câmara de Vereadores, em junho de 2000), não está habilitado moralmente para a função pública'', defendeu, para completar: ''Que tipo de história queremos que as gerações futuras contem no futuro?'', questionou Elza.
No restante do debate, os prefeituráveis expuseram, em dois minutos cada um, propostas em áreas previamente definidas em sorteio, tais como segurança, saúde, saneamento básico, educação, emprego, planejamento/desenvolvimento e habitação. O próximo debate está marcado para o dia 30 (quinta-feira), às 22 horas, na sede da TV Coroados (Rede Globo).


