Sem Barbosa, Marina deve ser maior beneficiada, diz diretor do Datafolha
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quarta-feira, 09 de maio de 2018
Folhapress 
São Paulo - Com a desistência do ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa (PSB) de lançar candidatura à Presidência nas eleições deste ano a maior beneficiada deve ser a pré-candidata Marina Silva (Rede). Essa é a análise do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
"Pela saída de Barbosa, não por uma migração de votos, mas pela divisão dos seus 10%, é possível que Marina Silva seja a maior beneficiada", afirmou Paulino.
Em entrevista à Rádio CBN na manhã desta quarta-feira (9) ele citou dados da última pesquisa Datafolha, que mostram que Joaquim Barbosa alcançava 10% das intenções de voto e era citado espontaneamente por 17% dos eleitores. Marina é a mais lembrada dentre os candidatos ao Planalto, com 26%.
Por outro lado, Jair Bolsonaro (PSL), que ocupa o topo das pesquisas atrás do ex-presidente Lula, não deve ser beneficiado e já teria atingido o teto das intenções de voto. "Se ele não ampliar um pouco mais o discurso e a forma como aborta as questões, sem ficar muito na segurança pública, acredito que ele não deve passar dessa faixa dos 20%", diz.
Paulino avalia que há motivo para os demais pré-candidatos comemorarem a desistência de Barbosa, uma vez que ele tinha potencial de crescimento na corrida eleitoral, podendo roubar votos tanto da direita quanto da esquerda.
A pesquisa também indicou que o perfil do eleitor do ex-ministro é mais escolarizado, morador dos grandes centros urbanos, homem e com renda mais alta, o que segundo Paulino indica pessoas com maior acesso à informação e que devem lembrar a atuação de Barbosa durante o julgamento do mensalão.
O ministro aposentado também era visto como um perfil conciliador, distante da polarização entre direita e esquerda, o que ampliaria seu potencial junto ao eleitorado.
Paulino destaca que nunca antes houve um número tão elevado de eleitores sem definição de candidato - brancos e nulos chegam a 24% e indecisos a 4%- a poucos meses do início da campanha eleitoral. "O que salta aos olhos é o desalento e a busca por uma candidatura que seja representativa dos anseios da população", afirma.


