Desde a derrubada do projeto popular que impedia a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel), no dia 20 de agosto, o governo não passava um aperto tão grande no plenário da Assembléia Legislativa. Por pouco a oposição não conseguiu derrubar ontem a mensagem do governo que transforma os delegados ''calça-curta'' em agentes administrativos (que perdem a função de delegados).
Apesar de cinco mensagens do governo estarem na pauta de votações de ontem, a base governista abandonou o plenário durante a maior parte da sessão e, quando o assunto dos delegados entrou em votação, a oposição estava em maioria. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) tentou aprovar um requerimento retirando a mensagem de pauta, mas a oposição rejeitou a iniciativa.
Para evitar que o projeto fosse derrubado, Amaral orientou os aliados que restavam a sair do plenário, derrubando a sessão. ''Vamos fazer uma reunião com as lideranças dos partidos aliados, para que mobilizem as bancadas'', anunciou, ao final da sessão. A reunião estava marcada para o final da tarde de ontem. Logo em seguida, os líderes de partidos tinham encontro agendado com o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert. Os deputados vão cobrar os repasses imediatos de verbas para seus redutos eleitorais. Eles querem as obras prometidas aos municípios, e condicionam o atendimento da reivindicação à presença no plenário.
O deputado Ricardo Maia (PSDB) disse que está sofrendo muita pressão por parte dos cerca de 20 prefeitos que representa. ''O chefe da Casa Civil (Alceni Guerra) deu entrevistas dizendo que o governo tem recursos para atender os prefeitos. Mas, na prática isso não está acontecendo. É uma situação desencontrada'', desabafou Maia. Segundo ele, sem uma definição em relação às verbas, ''vai ficar muito difícil votar''.
O deputado Moysés Leônidas (PPB) tem a mesma opinião. ''O desgaste dos deputados que assumiram a venda da Copel é grande. E até agora não vimos o atendimento de nenhuma emenda'', protestou. Na tentativa de garantir que pelo menos parte das emendas apresentadas ao orçamento deste ano sejam executadas, a base aliada apresentou projeto para que o governo aceite mudar emendas propostas (trocar um pedido de asfaltamento pela construção de um posto de saúde, por exemplo) e colocá-las em prática. A liderança do governo espera que a matéria seja votada na próxima semana.
Mesmo com as dificuldades vividas na Assembléia Legislativa, o Palácio Iguaçu aposta que consegue manter uma base de 30 deputados. No ano passado, o governo contava com o apoio de 40 parlamentares.

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