Sem aliança, Lula diz que não concorre
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaImpasseLula: Não preciso ser candidato à presidência para provar que tenho 20 milhões de votos no PaísLuiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que sem uma política de alianças não será o candidato do PT à Presidência da República. Eu aceitei ser candidato com a perspectiva de que iríamos buscar aliados, afirmou ele. Se o partido entender que não é assim, então não sou eu o candidato.
Lula disse que sua candidatura está sub judice até a reunião do diretório nacional do partido, no próximo fim de semana, quando ele espera obter uma solução para a crise causada pelo PT do Rio de Janeiro que inviabilizou a aliança com Leonel Brizola (PDT). Ele quer uma saída política para o problema, e não a intervenção no diretório fluminense.
Para o líder petista, esta terceira candidatura à Presidência (ele disputou em 1989 e 1994) só tem sentido se for para ganhar a eleição, o que, a seu ver, implica a política de alianças. O partido tem de decidir se a candidatura do Lula é para valer ou não, advertiu. Se for para marcar posição o candidato é outro e não eu, reforçou. Eu não preciso ser candidato para provar que tenho 20 milhões de votos no País, preciso dobrar a votação, ter 50% dos votos válidos para ganhar.
Lula não entra nos debates sobre a legalidade ou não da convenção do PT do Rio, que optou por candidatura própria no Estado, contrariando a estratégia nacional de união do partido com o PDT. Eu não estou discutindo se a questão do Rio foi legal ou não, do ponto de vista estatutário eles cumpriram todas as normas, disse. Eu quero discutir é a conveniência eleitoral para derrotar Fernando Henrique Cardoso.
O fundamental para ele, no debate, é saber se haverá uma política de alianças a nível nacional ou se cada Estado vai resolver seus problemas de acordo com suas vontades. Lula fez duras críticas à interferência dos problemas regionais do PT na estratégia de sua candidatura. O candidato do PT à Presidência não pode ficar subordinado às brigas tribais de cada Estado.
O líder petista antecipou que, se a decisão final for favorável à posição do PT fluminense, com a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do Estado, ele passará a atuar como simples cabo eleitoral. Posso fazer campanha para qualquer candidato do partido.
Lula declara-se disposto a dar apoio nas campanhas estaduais e subiria no palanque dos correligionários do Rio. Eu não terei problemas se o partido disser que o Vladimir ficará como candidato, afirma. Estarei lá fazendo campanha para ele, mas como cidadão; como candidato eu não vou.
A solução, no seu entender, deve ser tomada na reunião do diretório. Ninguém pode esperar muito tempo, nem um lado nem o outro, avaliou. Ele entende como difícil a tarefa dos membros do diretório. A solução deve respeitar a cultura política do partido. O PT não tem a cultura da intervenção, nós vamos ter de encontrar uma saída política, disse. O dado concreto é que o Brasil é uma confederação de Estados e nós não podemos subordinar 26 Estados a um só.
A política de alianças defendida por Lula não se limitaria à estratégia da campanha. A aliança não é apenas eleitoral, ela estabelecerá programas e ações de governo. Sem ela, ele já teria dito há um ano que não disputaria.
Lula participou na manhã de ontem de missa em homenagem ao Dia do Trabalho, em São Bernardo, ao lado da filha Lurian e da neta Maria Beatriz, de 2 anos. Ele disse que vai ao Nordeste para visitar as regiões atingidas pela seca.


