Pelo menos 90% dos sete mil servidores municipais de Londrina deverão aderir hoje à paralisação dos trabalhos. Esta é a estimativa do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), que está mobilizando os trabalhadores contra a falta de propostas da administração municipal em relação à reivindicação de 21% de reajuste salarial, referentes às perdas acumuladas nos anos de 2001, 2002 e 2004.
Em duas reuniões realizadas ontem, diretores do Sindserv e os secretários de Gestão Pública, Jacks Dias, e de Fazenda, Wilson Sella, divergiram sobre a previsão de crescimento da receita líquida do município em 2005. Conforme cálculos apresentados pelo economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, o município deve ter este ano, um aumento na arrecadação de cerca de 13%, o que viabilizaria o reajuste ao funcionalismo. ''Estamos apontando que a prefeitura deve ter um incremento de arrecadação em 2005 da ordem de R$ 43 milhões a R$ 45 milhões. Esse aumento de receita permitiria financiar o pagamento do reajuste salarial de 6%, referentes à inflação dos últimos 12 meses, e abriria a perspectiva de negociar o resíduo inflacionário de 14,5%'', afirmou Cordeiro. ''A prefeitura quer que esses resultados se concretizem para tomar uma decisão. Estamos avaliando que hoje, com os dados de janeiro e fevereiro, com o crescimento que estamos observando, já há condições concretas de avaliarmos o crescimento da receita.''
Na avaliação de Sella, qualquer índice de reajuste somente poderá ser discutido no segundo semestre. ''Uma coisa é você planejar e outra é ter o dinheiro na mão. Naturalmente não tenho uma bola de cristal para dizer que isso que o Dieese está dizendo é verdadeiro e vai acontecer essa arrecadação. Se for verdadeiro, é possível que lá na frente possamos estar verificando algum tipo de proposta de reajuste, provavelmente depois de julho, agosto'', disse o secretário. ''Hoje não temos proposta. Pretendemos fazer uma proposta pagável. Não adianta fazer uma proposta de um índice aleatório e chegarmos em junho, julho e não conseguirmos mais fazer o pagamento.'' Segundo Sella, os servidores que aderirem à paralisação terão o dia de trabalho descontados. ''A administração não vai fazer nenhum tipo de constrangimento, pelo contrário, o direito de greve ou de manifestação é livre, mas naturalmente há sequelas que cada um, individualmente, deverá suportar. O desconto dos dias parados por exemplo.''
O secretário ainda prevê que o município poderá fechar o ano com um déficit de até R$ 25 milhões devido o pagamento de dívidas da prefeitura acumuladas desde 1993.
Os servidores deverão realizar hoje uma assembléia, às 11 horas, na prefeitura. De acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, há possibilidade de ser deflagrada greve. ''Amamhã (hoje) vamos apresentar aos servidores a proposta da prefeitura que é de zero por cento e a falta de previsão para negociação. Vamos colocar isso na assembléia e novos caminhos vão ser tirados que pode ser uma greve ou outra ação que o servidor resolva tirar'', disse. Conforme Urbaneja, deverão ser mantidos hoje somente os serviços de emergência do Pronto Atendimento Infantil (PAI), do Pronto Atendimento Municipal (PAM) e da Maternidade Municipal.

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