Sem acordo, servidores encerram greve
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Foram 106 dias de greve, dias parados descontados, duas intervenções judiciais que desgastaram o movimento, nenhum índice de reposição salarial imediato, ou para o próximo ano, e, desde 8 de agosto, nenhuma conversa formal ou informal com o prefeito Nedson Micheleti (PT) - dadas as recusas enfáticas do chefe do Executivo para tal. Assim acabou ontem, em assembléia com pouco mais de 100 pessoas, a paralisação dos servidores municipais de Londrina contra seis anos de defasagem salarial.
A decisão suspende o movimento reivindicatório, mas mantém o estado de greve e as concentrações todas as quintas-feiras, às 8 e às 13 horas, com manifestações na Câmara de Vereadores. As duas propostas votadas tiveram orientação do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, apesar de diretores da entidade se mostrarem favoráveis àquela que foi aprovada. Aproximadamente 20 funcionários votaram contra, em uma tentativa derradeira de manter a paralisação.
Durante a assembléia, por diversas ocasiões funcionários mobilizados desde agosto defenderam o retorno ao trabalho, já a partir de hoje, ante o desgaste sofrido pela greve nas últimas semanas. Em relação a isso, citaram os setores obrigados à retomada das funções por duas liminares judiciais: a primeira, do Tribunal de Justiça (TJ), impôs multa diária de R$ 20 mil ao Sindserv e conseguiu a reabertura de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A segunda, de primeira instância, possibilitou a reabertura do prédio da administração e a retomada, escalonada ou revezada, de áreas afetas à Infância e Juventude.
''A gente tem que voltar, pois está se 'queimando' aqui. Agora, é fiscalizar'', pediu uma servidora, ao microfone. Outro devolveu: ''Vamos voltar porque temos compromisso, não porque acreditamos nesse homem''. A referência implícita ao prefeito foi por mais de uma vez colocada nesses termos. Por fim, um servidor deu aquela que seria a sentença: ''Estamos quebrando aquilo que já está rachado'', declarou, referindo-se à mobilização menor que na greve de 31 dias do ano passado. Na ocasião, a Educação - que, pelo temor da reposição de aulas, aderiu em pouco mais de 100 pessoas agora - havia sido a arregimentadora de forças.
Pelos cálculos do Sindserv, na reta final cerca de 400 servidores permaneciam em greve. Ontem, o presidente da entidade, Marcelo Urbaneja, argumentou que o estado de greve visa a ''conferir legalidade ao movimento suspenso''. O dirigente disse não acreditar em negociação salarial, mas garantiu que o sindicato vai cobrar as últimas declarações de Nedson: nelas, o prefeito afirmara que só conversaria com a categoria, ou mesmo formaria uma comissão permanente de negociação, caso todo o funcionalismo voltasse ao trabalho. Pouco antes, durante a assembléia, Urbaneja pediu que os colegas ficassem ''atentos ao votar'', uma vez que as férias na Educação e o recesso no Legislativo, já próximos, poderiam ''refrear o movimento''.
''Vamos continuar com essa cobrança: esta semana, mandamos ofício ao prefeito lembrando-o dessas entrevistas dele. E isso vai para o Ministério Público (MP) também, já que a mesma promessa ele fez aos promotores (que tentaram intermediar uma negociação'', concluiu.


