BRASÍLIA - Mesmo sem ter convencido o presidente Fernando Henrique Cardoso a adiar a votação, na Câmara, da emenda da reeleição, o líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), deixou no ar uma ameaça: o partido vai dificultar a tramitação do projeto no Senado, se não houver um acordo político. ‘‘A emenda passará de forma tranquila e harmoniosa se houver um entendimento desde a votação em primeiro turno’’, disse Jader ao presidente. ‘‘Ao contrário, se o início for traumático, isso contaminará todo o processo.’’
O líder do PMDB foi recebido por Fernando Henrique no Palácio da Alvorada, durante uma hora e meia, na noite de quinta-feira. Já chegou sabendo que o governo no aceitaria sua proposta de adiar para 5 de fevereiro a votação em primeiro turno, que está marcada para quarta-feira. Foi sua segunda visita ao Alvorada desde o início da crise com o PMDB. No dia 14, ele conversou com Fernando Henrique por mais de quatro horas, também sem testemunhas.
No encontro de anteontem, além de pedir o adiamento de uma semana, Jader foi dizer que o PMDB quer engordar a emenda com uma minirreforma política e submetê-la a referendo popular. Fernando Henrique, segundo o relato feito por Jader a três outros senadores, teria estimulado a segunda parte do plano: admitiu o referendo, a adoção de regras para a fidelidade partidária e até para desincompatibilização aos candidatos em cargos executivos. Mesmo rejeitando o adiamento, o presidente disse que as negociaçes devem prosseguir.
No cálculo político dos senadores do PMDB, o governo pode até ter os votos para aprovar a emenda terça-feira, em primeiro turno, na Câmara. No Senado, porém, a emenda não passaria da forma como está redigida (sem reforma política e sem desincompatibilização). O PMDB reúne 22 senadores que, somados aos 11 da esquerda e aos cinco do PPB, podem bloquear qualquer proposta de emenda constitucional. Veladamente, foi esse o recado que o líder do partido levou ao presidente Fernando Henrique.

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