Sem acordo, plano de cargos de professores é adiado
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os professores da rede estadual de ensino terão que esperar mais um pouco para ter um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). O Poder Legislativo encerrou ontem os trabalhos e como docentes e o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, não chegaram a um consenso, principalmente em relação à tabela salarial, o envio da mensagem pelo governo à Assembléia Legislativa foi adiado. A previsão era de que a proposta fosse apresentada na manhã de ontem aos deputados.
O secretário-geral do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), Luiz Carlos Paixão, alega que o impasse foi provocado pelo secretário de Educação que, no texto final da proposta, voltou atrás em itens que já estavam acordados com a categoria. Os professores tinham concordado com o índice de reajuste entre os níveis de carreira que representaria, em média, a recuperação de 91% das perdas salariais. Na proposta final, a média de reposição, segundo o sindicato, ficou em 14%.
Luiz Paixão afirmou que a proposta cria situações ''absurdas'' como a de professores que terão R$ 0,75 de acréscimo salarial ao mudar de nível na tabela. Outro ponto de descontentamento foi a redução do período de férias de 60 para 30 dias mais 15 dias de recesso escolar. Segundo ele, a cada ano, tem aumentado o número de professores que, ao concluirem o ano letivo, precisam de tratamento médico e psicológico por conta da sobrecarga de trabalho.
Ainda de acordo com o sindicalista, os professores desaprovam a criação de mais três níveis na carreira docente, como propõe a secretaria de Educação. O problema, segundo ele, é que a compensação financeira é desproporcional ao esforço que professor terá que fazer para subir de nível.
Maurício Requião informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só irá se pronunciar sobre o PCCV quando a proposta estiver fechada. Na tarde de ontem, representantes da APP-Sindicato estiveram na secretaria para uma nova rodada de negociações, mas não houve qualquer desdobramento.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, negou divergências entre governo e professores. A proposta, segundo ele, não foi fechada porque os valores precisam estar muito bem amarrados com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e com a previsão de arrecação para não comprometer o orçamento do governo. Os professores, lembrou, representam a maior categoria de servidores do Estado. Ele garantiu que a mensagem será encaminhada à Assembléia logo nos primeiros dias de trabalho, em 2004.


