Quase cinco horas de reunião e nenhum avanço nas negociações entre Prefeitura de Londrina e Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv). Representantes da administração e dos servidores realizaram ontem a primeira rodada de negociação mas não chegaram a um acordo com relação aos 21% de reposição salarial reivindicados pelos trabalhadores. A próxima rodada de negociação está marcada para o dia 23. Ao que tudo indica, a greve, que completa hoje 13 dias, pode ser a maior paralisação dos últimos doze anos no município. A última greve geral dos servidores municipais ocorreu na gestão do então petista Luiz Eduardo Cheida, em 1993, e durou 18 dias.
A reunião de ontem começou às 9 horas na Sercomtel. O sindicato levou dois observadores para acompanhar a negociação, uma representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), um da Igreja Católica e um da Câmara de Vereadores, mas a administração não permitiu a participação deles. Quatro horas e meia depois foi dada uma pausa para o almoço. As comissões de negociação voltaram a se reunir às 14h30, mas menos de trinta minutos depois foi encerrado o encontro. O prefeito Nedson Micheleti (PT) não participou ontem da reunião. Ele estava em Curitiba, participando de um encontro de prefeitos.
''Na verdade foi um grande teatro armado. Os servidores estiveram a semana toda buscando apoio da sociedade civil organizada contra a intransigência da administração. Depois que a administração teve vários pedidos de vários setores, eles voltaram a negociar. A administração novamente voltou a insistir que não existe condição nenhuma de saldar a dívida com o servidor municipal'', disse o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, se referindo à reivindicação de reposição salarial. ''Apresentamos ainda duas novas propostas. Uma para que fosse oferecido um abono emergencial para o servidor enquanto se confirmava a arrecadação e a outra proposta seria um acompanhamento para confirmação da arrecadação concomitantemente repassando esses valores aos salários, que também não foram aceitas pela administração. Sabemos que existe uma margem de negociação. O que não existe é uma vontade de atendimento aos servidores'', reclamou.
Segundo o secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, que também preside a comissão de negociação da prefeitura, o abono sugerido pelo sindicato, de R$ 140, resultaria em um impacto de R$ 10 milhões por ano na folha de pagamentos. ''A proposta do abono tem o mesmo impacto na folha de pagamentos (que a reposição salarial de 6%) e estamos colocando que a prefeitura não tem condições de arcar com um impacto desse, de aumentar nenhuma despesa'', argumentou. ''Apresentamos para o sindicato que voltássemos ao trabalho e mantivéssemos uma negociação permanente através de uma comissão e buscássemos resolver os demais pontos da pauta de reivindicação'', disse. O secretário reafirmou que os dias parados serão descontados dos servidores. ''Continuam sendo descontados e agora tem uma decisão judicial que praticamente nos obriga a descontar os dias e a palavra do município continua a mesma, vamos descontar os dias parados.'' Durante a primeira administração de Nedson foi concedido aos servidores de 27% a 31% de reajuste.
Administração e sindicato devem voltar à negociação somente na quarta-feira, dia 23. ''A reunião de quarta-feira foi marcada porque o secretário alegou que teria que viajar, então, a cidade pode esperar'', alfinetou Urbaneja. ''Apresentei para eles e eles toparam fazer a negociação nesta data. Se eles vierem com outra data, normalmente vamos negociar na hora que eles quiserem'', afirmou Dias. O secretário teria uma viagem agendada para Brasília nos dias 21 e 22.

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