A audiência de conciliação promovida pelo juiz da 5 Vara Cível, Abílio de Freitas, não conseguiu colocar um fim à greve dos servidores municipais de Maringá. Com isso, a greve iniciada há 23 dias deve prosseguir por tempo indeterminado.
De acordo com o promotor Maurício Kalache, que acompanhou o encontro no Fórum, as negociações permanecem travadas porque ''falta clareza'' quanto à possibilidade de concessão de aumento real de salários para o funcionalismo frente à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impede a concessão de aumentos de salário para servidores em período eleitoral.
''A prefeitura alegou que não pode aumentar o índice porque iria extrapolar o gasto com salários permitido pela LRF. Além disso, há dúvidas se a resolução do TSE também vale para os municípios. Isso precisa ser esclarecido.''
A presidente do Sismmar, Ana Pagamunici, se disse frustrada com o encontro porque a prefeitura ''reduziu'' a proposta apresentada anteriormente e ''inviabilizou'' a tentativa de acerto.
''Eles disseram para a imprensa que iam melhorar proposta, mas melhoraram só para o lado deles. O prefeito retirou o índice de 4,53% que apresentou há vários dias e passou a falar em apenas 0,39% de reajuste'', disse. ''Isso foi um desrespeito e fez aumentar a animosidade. Pelo pré-acordo, a contra-proposta teria que ser maior que a oferta inicial.'' No início da noite, os servidores iniciaram nova assembléia para decidir sobre a retomada dos bloqueios e piquetes em frente a órgãos públicos. O Sismmar reivindica 16,67% de reajuste salarial.
O prefeito Silvio Barros, que esta semana chegou a ajudar na coleta de lixo um dos serviços mais prejudicados pela greve, afirmou que a redução da proposta foi ocasionada pela resolução do TSE. ''Isso foi uma surpresa para mim. Fui alertado ontem (segunda-feira) pela assessoria jurídica de que a nova determinação impede aumento real em ano eleitoral. Podemos dar apenas a inflação do ano, que ficou em 0,39% até maio.''
Para Silvio Barros, ''não interessa'' se o sindicato concorda ou não com a lei. ''Para eliminar qualquer dúvida, fizemos um questionamento por escrito à Justiça Eleitoral para saber se a resolução vale nos municípios.'' O prefeito espera uma resposta para hoje.
Sobre os prejuízos causados para a população, Silvio Barros declarou que ''a prefeitura está conseguindo colocar a coleta de lixo em dia'' e que pretende se reunir hoje com juízes e promotores da Infância e Juventude para liberar as aulas na rede municipal de ensino, cujo calendário já foi alterado pela paralisação.

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