Selo do importado fala mais alto
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Samuka Lopes 
O selo e a aura do carro importado deram tons de sofisticação e status ao VW Passat sedã, o sucessor natural do Santana. O Passat chegou ao Brasil no final do ano passado, na sombra do seu primo-rico, conhecido como Audi A4 - o Passat tem a mesma plataforma do A4, mas tem carroceria parecida com o do modelo Audi A6. Os motores têm a mesma cavalaria e itens de segurança e conforto semelhantes. Mas o preço é quase o dobro. Especialmente agora, com a sorização do dólar.
Nos anos anteriores, os nossos deputados usavam modelos Santana e Vectra, com preço máximo na casa dos R$ 40 mil. No ano passado a febre que pegou foi a do modelo Chevrolet Blazer, com preços entre R$ 35 mil e R$ 53 mil.
Este ano nossos representantes decidiram dar um salto de potência e qualidade, levando junto um bom punhado de dólares. O VW Santana está com os dias contados no Brasil. A opção natural seria o Passat, se esse modelo fosse produzido em São José dos Pinhais, como a montadora alemã chegou a informar, mas depois decidiu pela sua produção na Argentina - com exceção do modelo equipado com motor VR6 (193 cv), produzido na Alemanha. Com produção no Mercosul, o preço poderia ser bem menor.
As outras opções são nacionais. Caso do Chevrolet Vectra e Fiat Marea - na casa dos R$ 40 mil - e até Renault Mégane sedã - montado na Argentina, com custo de R$ 30 mil e na mesma faixa de preço dos modelos Golf (que já estão sendo produzidos em São José dos Pinhais). Se a intenção era favorecer a indústria instalada no Paraná, a Renault já colocou o Scénic no mercado com preço máximo de R$ 33 mil e com a possibilidade de ter múltiplas configurações. Pode-se ainda esperar pelo Golf Made In Paraná, cuja previsão é de chegar ao mercado em maio. Ou ainda o próprio Audi A3, cujas vendas devem começar ainda este mês. O preço do A3 está na faixa máxima de R$ 40 mil.
Como se vê, o que não falta é opção mais viável e barata. Mas o mercado é livre e trabalha de acordo com o gosto e bolso do cliente. Fica mais fácil pagar em dólar quando o dinheiro não irá sair da sua renda mensal.
- SAMUKA LOPES é editor de Folha Carro & Cia.


