O advogado administrativista Wilson Sella, 43 anos, assume hoje a Secretaria Municipal da Fazenda, posto ocupado até ontem pelo servidor de carreira e bacharel em Direito, Rubens Menoli, 59 anos.
A mudança também afetou a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Ontem, Sella passou a presidência a uma de suas mais ativas colaboradoras na companhia, Rosimeiri Suzuki Lima, 39 anos, até então diretora de Operações e Transportes. Este cargo será absorvido pelas outras diretorias da companhia.
Ao anunciar a mudança em seu gabinete, o prefeito Nedson Michelleti (PT) justificou a saída de Menoli por ''razões pessoais e de saúde''. Depois de uma cirurgia no início do mês, o ex-secretário da Fazenda deve operar os ligamentos do joelho direito nos próximos dias.
''Achei que a minha ausência em um momento tão importante poderia prejudicar o andamento da secretaria'', explicou Menoli. O prefeito disse que lamentava a saída de um ''companheirão no projeto da cidade''. A costura para modificar a equipe estava sendo feita há pelo menos 10 dias, desde que o secretário se mostrou preocupado com sua provável ausência forçada em junho.
Menoli, que na semana passada disse à Folha que permaneceria no cargo, negou que sua saída tenha a ver com uma suposta discordância pessoal sobre o já vigente Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do servidor municipal, que representa aumento nos gastos para o ano fiscal em vigor. ''As decisões na esfera municipal são feitas em função das circunstâncias'', desconversou. ''Minha saída não tem nada a ver com a questão do PCCS'', garantiu.
O prefeito disse que Sella é de ''extrema confiança'' e que deverá prosseguir com a ''mesma política de equilíbrio fiscal e de controle rigoroso das finanças municipais'' implementada por Menolli desde que assumiu a pasta (substituindo o hoje deputado federal Paulo Bernardo, PT-SP), na reforma administrativa de 2002. ''O Menoli deve continuar ajudando. Ele é um companheirão no projeto da cidade'', agradeceu o prefeito.
Já Sella está consciente do desgaste político que pode enfrentar com o cargo, ainda mais em ano de eleição, quando as demandas por recursos costumam aumentar dentro da administração. ''Já é um trabalho difícil por administrar a capacidade de investimento do governo. Em ano eleitoral é mais difícil ainda'', disse, referindo-se às limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Como presidente da CMTU, Sella teve uma gestão pontuada por medidas polêmicas: a instalação da bilhetagem eletrônica e o último reajuste da tarifa no sistema de transporte coletivo, o local do novo aterro sanitário, a remoção e a reinstalação dos camelôs e a retirada dos artesãos da Praça Marechal Floriano. A nova titular, Rosimeiri, afirmou que pretende cumprir os compromissos já acertados por Sella e que estava ''muito feliz'' em assumir o cargo. ''Sempre trabalhamos juntos nas principais questões da companhia e já sabemos o que vamos encontrar''.

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