Sella prevê déficit de R$ 20 milhões
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sábado, 26 de fevereiro de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
A previsão do secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, é que a Prefeitura de Londrina terá um déficit financeiro de mais de R$ 20 milhões. A declaração foi dada na manhã de ontem, quando o secretário esteve na redação da Folha apresentando os números da secretaria para justificar a impossibilidade de reajustar o salário dos servidores públicos até semtembro deste ano.
O índice de reajuste pedido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) é de 21%, o que, segundo Sella, significaria um gasto de R$ 36 milhões a mais aos cofres municipais. ''Para este ano temos um gasto de R$ 34 milhões que não estava previsto no orçamento'', declarou o secretário. No ano passado, o orçamento realizado ficou em torno de R$ 440 milhões. Sella argumentou que, mesmo que a receita cresça 10%, o equivalente a R$ 44 milhões, não teria condições de dar o reajuste.
Entre as contas citadas pelo secretário está uma dívida da Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), referente ao período de 1993 a 2000. ''Após negociação com a Câmara, conseguimos prorrogar o pagamento desta conta. Mas isso é resultado de 10 anos políticos, não da nossa gestão'', justificou o secretário.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, relembrou ontem, durante manifestação da entidade no Calçadão, que um técnico do Dieese mostrou números indicando que, neste ano, o aumento da receita ficará entre 10% e 13%, o que representa entre R$ 44 milhões e R$ 57,2 milhões.
''Nós só temos controle sobre a cobrança do Imposto Sobre Serviços (ISS) e da dívida ativa. Mesmo que partirmos para uma política pragmática contra os devedores, a receita não será suficiente'', disse o secretário. Sella informou ainda que mais de 50% da arrecadação depende da conjuntura nacional.
O diretor administrativo do Sindiserv, Roberto Melo de Lima, questionou ontem os números apresentados pelo secretário. ''Ele pode ter feito esta planilha em casa e inchado os números'', afirmou. Lima admite que, se os dados repassados por Sella estiverem corretos, os servidores terão muitos problemas. ''Se isso (déficit) se confirmar, vamos pedir uma investigação das contas públicas, pois nestes gastos extras está uma conta da Caapsml de 2004'', disse o diretor, enfatizando que isso não seria possível devido à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Enquanto não há acordo entre as partes, os servidores mantêm a ameaça de paralisação. ''Vamos parar na próxima terça-feira, dia 1º. Depois vamos avaliar qual a atitude da Prefeitura'', disse Urbaneja.
O secretário da Fazenda esclareceu que até setembro é impossível negociar um índice de reajuste. ''Só então saberemos se vamos crescer, como está o ritmo da economia e qual será o impacto do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) no caixa'', afirmou Sella. O pagamento do PCCS foi suspenso por 90 dias, mas deve ser pago ainda este ano, com efeito retroativo.


