Sella fala em demissões e redução de salário
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sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, afirmou ontem que estão em estudo três propostas para aumentar a arrecadação da Prefeitura de Londrina: a demissão de cargos comissionados que, segundo ele, representam hoje cerca pelo menos R$ 200 mil mensais ao quadro (sem contar a Sercomtel), a ampliação da receita e a redução linear nos salários de todo o funcionalismo. As medidas, por ora apenas no papel, seriam aplicadas a partir de 2007 e caso a Prefeitura não feche este ano com os 54% de comprometimento da receita corrente líquida com folha de pagamento. O índice é o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Sella reclamou dos cerca de R$ 500 mil ao dia de prejuízo com a paralisação dos servidores municipais (iniciada terça-feira), valor que, afirma, estaria sendo deixado de arrecadar em impostos como ISS, ITBI e com a campanha de adimplência para pagamento do IPTU.
O secretário repetiu as palavras do prefeito Nedson Micheleti (PT) ao negar expor os números à diretoria do Sindicato dos Servidores (Sindserv) que, analisa, trabalha ''politicamente''. Sella argumenta que os números correspondem ao índice de 46,09% de comprometimento da receita corrente líquida com a folha de pagamento, que a Prefeitura de Londrina declarou na prestação de contas de 2005 ao Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR). O Sindserv questiona os mais de 57% que estariam sendo gastos este ano.
''Esse não era o índice real, pois considerava receita do SUS (Sistema Único de Saúde). O índice real naquela época já era em torno de 57%, que repetimos este ano - mas há a recomendação do Tribunal para retirarmos, em 2007, a receita do SUS da prestação'', afirmou. Questionado se apresentaria a mesma explicação em uma audiência pública, por exemplo, descartou. ''Os servidores já sabem o quanto temos em caixa. Para a população, temos esses balancetes no site da Prefeitura (www.londrina.pr.gov.br). E os dados da prestação de contas ao TC são públicos'', resumiu.
A respeito do índice da receita deste ano com pessoal, o secretário de Fazenda diverge do prefeito, que, quarta-feira, afirmou estar em 54% exatos: ''Estamos com mais de 57%'', declarou. ''O que digo é que a folha está estabilizada''.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, considerou as supostas propostas em estudo ''uma ilusão''. ''Acreditamos outras vezes nesse prefeito e não obtivemos nenhuma reposição ao longo de cinco anos. Se esse índice ao TC não era real, a população precisa saber o por quê de ele estar na prestação de contas.''
No quarto dia da paralisação dos servidores, a Folha percorreu escolas e unidades básicas de Saúde (UBSs) para verificar o atendimento. Nos postos do Aquiles Stenghel e do Vivi Xavier (Zona Norte) e da Vila Casoni (Centro), por exemplo, cadeados nos portões e cartazes indicavam a falta de atendimento. No posto do Maria Cecília, (Zona Norte), 10% do quadro de 100 funcionários estava na ativa. Ali, pacientes de outros locais em que o posto fechara buscavam pelo menos a receita para o medicamento.
''Vim aqui com muita dificuldade, pois tenho muitas dores no joelho mas foi o jeito. O posto perto de casa estava fechado, e sei que os grevistas têm os direitos deles'', disse a aposentada Laíde Calderia, 62 anos.
Urbaneja nega que haja a orientação de colocar cadeados nos postos, mas eximiu-se de garantir atendimento em escala mínima, tampouco equipes do comando à frente desses locais para esclarecer a comunidade. ''Isso quem tem que fazer é a Prefeitura, a notificamos no dia da assembléia para se estabelecer um quadro mínimo, só que ignoraram'', definiu.
Por sua vez, a Prefeitura não sinaliza que vai garantir atendimento mínimo. ''É um movimento político, o servidor que volte a trabalhar. A questão é muito simples: a diretoria do Sindicato induziu a categoria a erro. Eles que resolvam'', devolveu o secretário da Fazenda.


