Sella admite desgaste político com PCCS
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, admitiu à Folha que a não implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores municipais, deve se transformar no primeiro desgaste da segunda administração do prefeito Nedson Micheleti (PT).
A segunda etapa do PCCS, que prevê a promoção por conhecimento de cerca de 2,8 mil servidores, deveria ser implantada este mês, mas uma portaria baixada pelo secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, no dia 14, suspendeu as promoções por 30 dias. Conforme cálculos do secretariado, essa etapa do PCCS impactaria a folha de pagamentos em mais de R$ 10 milhões.
''Com certeza (haverá desgaste). Porque é impagável (segunda fase do PCCS) e, por outro lado temos a categoria aguardando um PCCS e com direito'', disse Sella. ''Temos servidores que fazem atividades técnicas e têm especialização em outra atividade e este certificado está sendo utilizado para enquadramento. Isso é que não é possível em termos de conceito. Tem que ser revisto. É impensável aplicar o PCCS na forma como ele está. É impagável.''
Segundo o secretário, a implantação da primeira fase do plano, no início de 2004, em que cerca de 400 servidores tiveram seus vencimentos aumentados em 100%, gerou cortes em investimentos. ''(A primeira etapa) criou dificuldades. Tivemos que fazer cortes importantes na área de investimentos e, com a segunda etapa, corre-se o risco de obtermos recursos federais a fundo perdido e não termos recursos para as contrapartidas, que via de regra são de 20%'', afirmou. ''Naquele momento, em que o prefeito foi levado a implantar o PCCS, tudo estaria certo. Não deveríamos ter tido aquele impacto tampouco esse impacto agora, de forma que pudéssesmos fazer uma política salarial global para todos os servidores e todos também tendo uma participação, um resultado no seu salário. Tendo beneficiado algumas pessoas e agora outro tanto, ainda que bastante, e o outro tanto não ter nenhum benefício, isso cria um descompasso que eu diria até de injustiça.''
Sella admitiu que houve falhas na elaboração do PCCS. ''O que falhou mesmo foram os ensaios e a operação propriamente dita de realizar a folha, de fazer com ela acontecesse. Desconsideradas foram algumas verbas de alguns servidores, a incorporação delas. Uma falha de fazer uma fotografia de como ficaria efetivamente a folha implantando o PCCS'', reconheceu, afirmando que a saída é a readequação do plano. ''Vamos ter que ter muita tranquilidade, paciência, perseverança em readequar o PCCS e ao mesmo tempo atender a comunidade'', considerou. Uma comissão formada por servidores da Secretaria de Gestão Pública e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), formada em janeiro, está revisando o plano.


