Seis candidatos a vereador portam alguma deficiência
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quinta-feira, 09 de setembro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Considerados minoria nas estatísticas populacionais, os portadores de necessidades especiais também poderiam ser assim classificados quando o assunto é campanha eleitoral. Em um universo de 315 candidatos à Câmara de Vereadores de Londrina, nas eleições de outubro, somente seis representam o segmento pouco menos de 2% do total de concorrentes. A informação é da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), já que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não adotou o critério para o registro das candidaturas.
Na opinião de um dos coordenadores da Adefil, Anderson Cruz Taveira, o número ainda é pequeno, mas reflete uma tendência de crescimento. O motivo para isso, alegou, é uma maior politização de quem integra o segmento. ''De 20 a 30 anos para cá muita coisa mudou. Os portadores estão mais inseridos, mais conscientes, e isso a longo prazo vai melhorar ainda mais'', avaliou.
Para alguns dos candidatos ouvidos pela Folha, porém, a pouca participação se deve a uma dose de preconceito enfrentada pelo próprio portador de deficiência. ''Muita gente nossa acha que não tem tanta confiança para se achar capacitada a ocupar um cargo público. Às vezes sinto essa desconfiança da própria sociedade'', afirmou o empresário e advogado João Durval (PPS), 36, postulante a uma cadeira do Legislativo pela segunda vez. Deficiente visual, Durval conta que sua condição não é limitadora na campanha. ''Tanto que estou com um braço quebrado, mas, nem por isso, deixo a campanha na rua, direcionada em bairros e entidades voltadas a deficientes'', contou. Ele acredita que o segmento se fortalecerá na cidade no caso de algum deficiente ser eleito. ''Há muita lei voltada para nós hoje que não é cumprida, ou é mal cumprida, como a das rampas no acesso a logradouros públicos'', exemplificou.
Vítima de poliomielite aos seis meses de idade, o músico Paulo Lima (PP), hoje com 43, disputa uma vaga Câmara pela terceira vez e também é enfático: a dificuldade de locomoção não é obstáculo para percorrer o Calçadão, na Área Central, ou qualquer outra localidade em busca de eleitores. ''Uso a música para atrair o voto do eleitorado; outro recurso seria pura demagogia'', considera. Na avaliação de Lima, a baixa representatividade dos portadores de necessidades especiais nas eleições se deve ainda aos fatores econômico e social . ''Nem todos tiveram condições de ter estudo e acabam ficando limitados no tocante às leis'', justificou. Mesmo assim, ele concorda com João Durval em um aspecto. ''A gente recebe muitos olhares nos encorajando na luta, mas isso só vai adiantar quando a classe tiver menos preconceito contra si própria.''


