A baixa arrecadação com impostos e os altos gastos com juros e amortizações de dívidas nos municípios paranaenses prejudica investimentos e indica má gestão fiscal. É o que aponta o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Pelo índice, seis a cada dez cidades paranaenses têm situação crítica ou difícil de gestão fiscal.
O índice avalia a gestão fiscal baseado em cinco indicadores (receita própria, gastos com pessoal, investimentos, liquidez e custo da dívida) e varia entre 0 e 1 – quanto mais alto, melhor a colocação. A análise desses índices revela a dinâmica das contas públicas de cada cidade. Apesar de revelados este ano, o levantamento toma como base valores de 2011, com dados fornecidos pelas próprias administrações a órgãos de fiscalização.
A média do IFGF dos 393 municípios paranaenses analisados ficou em 0,5599, um pouco acima da média nacional, de 0,5295. Porém, o Paraná apresenta a menor média da Região Sul: o índice médio das 290 cidades de Santa Catarina é de 0,6451 e do Rio Grande do Sul, 0,6440.
As cidades paranaenses apresentam também, entre os três Estados, as menores arrecadações de tributos, menor capacidade de investimentos com recursos próprios (sem repasses dos governos estadual ou da União), a menor liquidez (capacidade de pagar as contas) e o maior gasto com pessoal na administração pública.
A baixa arrecadação, aliado aos poucos investimentos e alto gasto com folha de pagamento indica que o dinheiro arrecadado é investido na manutenção da própria máquina pública, ao invés de virar benefício para os moradores.
Apesar disso, o Paraná tem bons exemplos e 34 cidades figuram entre as 500 brasileiras com o maior IFGF. O número é maior que os 10 municípios paranaenses que estão entre os 500 com os piores resultados.
Entre as dez cidades paranaenses com melhor índice, cinco obtiveram conceito A (IFGF acima de 0,8). Em comum, nove delas apresentam excelente desempenho no item liquidez.
A melhor avaliada é Maringá, a 12ª do ranking nacional, com IFGF de 0,8785. O município apresentou melhora em três índices e atingiu nota máxima no IFGF Liquidez. Curitiba ficou em 4º lugar, com IFGF 0,8073, atrás de Pontal do Paraná e Matinhos. No ranking nacional, a capital ficou na 70ª colocação.
Londrina fica fora do "top 10" e figura em 25º lugar no Paraná e 415º no Brasil.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Nova Olímpia, Luiz Sorvos (PDT), diz que a maioria das cidades paranaenses são pequenas e têm receitas próprias irrelevantes, o que as torna dependentes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM, repasse de verbas federal para as cidades) para investimentos.
O motivo da pequena arrecadação local seria o desinteresse de grandes investidores, que geram riqueza e arrecadação, pelas cidades menores. "Em Maringá, a construção civil é muito forte e isso reflete na arrecadação", exemplifica.

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