O protesto dos servidores municipais acabou na delegacia. Duas pessoas registraram boletins de ocorrência relatando que teriam sofrido agressões de supostos seguranças que acompanharam o prefeito Nedson Micheleti (PT), na saída de uma reunião realizada no início da tarde no centro da cidade.
A professora Crêuza Battara de Araújo - que participou do protesto - relatou que teve um dos dedos da mão esquerda fraturado por um homem que fazia a segurança do prefeito. ''Com a minha mão esquerda peguei no braço do prefeito, fiquei segurando e falava: Prefeito, vamos negociar. O segurança que me fez isso (apontando a fratura) disse: Larga do braço dele! E eu não larguei. Aí ele pegou de propósito o meu dedo e dobrou para trás'', contou a professora.
''O prefeito entrou no carro e saíram. Esse rapaz que me fez isso saiu correndo porque tem um estacionamento ao lado do hotel. Quando cheguei lá falei: Moço, como é o seu nome? Ele disse: Não interessa, como é o seu? Eu disse: Fala o seu porque eu quero mostrar o que você me fez. Ele disse: Não me interessa, eu ganho pra isso'', complementou. ''Estou me sentindo humilhada. Ele fazer isso com uma pessoa de 60 anos que luta pelos seus direitos, não é uma coisa de uma pessoa que cuida de uma cidade.'' A professora deverá entrar na Justiça contra o agressor e contra o prefeito.
O segurança Marcelo Dantas de Oliveira, de 34 anos, marido de uma servidora municipal, também registrou queixa na delegacia por agressão. Conforme Oliveira, ele se dirigiu ao protesto somente para conversar com a esposa e, teria sido espancado quando se dirigia para casa, por volta das 14h10. ''Estava na rotatória da rodoviária, que é o meu caminho de ir embora. Esse Palio azul, que estava com três seguranças e o prefeito Nedson, me abordou, desceram os seguranças já me dando cacetada, me espancando, ferrada, chute, murro, bateram na minha moto e falando se eu tinha alguma coisa contra eles e porque estava seguindo ele. Falei que estava indo para casa, não estava seguindo ninguém e que morava no José Giordano. Depois jogaram a chave para mim e falaram para sumir'', disse. ''Estou indignado. Por mais que eu fosse um servidor e estivesse lá fazendo protesto, ele não poderia ter agido dessa forma'', concluiu.
Apesar de Oliveira negar que estivesse participando do protesto e seguindo o carro do prefeito, imagens mostradas ontem à noite pela TV Tarobá mostraram o segurança pilotando a moto logo atrás do carro de Nedson e manifestantes gritando: ''Vai Marcelinho''. Oliveira fará o exame de corpo de delito na segunda-feira.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, disse que a entidade irá prestar assessoria jurídica para a professora e o segurança.

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