Segurança toma e rasga cartazes de professores
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2001
Cristiane Oya De Londrina e Sid Sauer De Campo Mourão 
Um grupo de 50 professores de Apucarana teve cartazes tomados e destruídos pela segurança de Jaime Lerner ontem, num protesto da categoria contra a política educacional mantida pelo governador do Paraná. Os professores foram impedidos de entrar com os cartazes no Colégio Nossa Senhora da Glória, durante a solenidade de lançamento do Programa Cidade Educação. Cerca de 10 policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar (PM) faziam a segurança do local.
Estávamos perto do local da solenidade fazendo protesto pacificamente, e de repente disseram que iriam recolher os cartazes e ameaçaram nos prender caso não entregássemos. Argumentamos que tínhamos o direito de nos manifestar e eles diziam que cumpriam ordens do comando. Eles tomaram e arrebentaram os cartazes, relatou a presidente da Associação dos Professores do Paraná (APP), de Arapongas, Nilva Maria de Brito Moraes.
Segundo Nilva, o Conselho Estadual da APP deverá se reunir hoje para debater a possibilidade de entrar com uma representação contra a Polícia Militar do Paraná, alegando que houve truculência. O comandante interino do 10º Batalhão da PM, capitão Apgawa de Aquino, afirmou ontem mesmo à Folha que é proibida a entrada de cartazes em solenidades. Mas Aquino afirmou que de acordo com os relatórios apresentados, nenhuma violência foi registrada na rápida passagem de Lerner por Apucarana. Se a professora sentiu que ouve algum exagero do policial, ela poderá comparecer a sede do batalhão e efetuar a denúncia que nós iremos averiguar, justificou.
Logo após Apucarana, Lerner se deslocou a Campo Mourão. Recebido por correligionários, o governador disse ontem que a cidade terá sua grande universidade através de um trabalho que envolverá toda a comunidade. Não é um decreto que vai criar uma universidade, disse. Lerner esteve em Campo Mourão para assinar o contrato para a construção de uma nova escola, com 10 salas, que vai custar R$ 658 mil.
Ao final do evento, em entrevista à Folha, Lerner não quis confirmar que a citação da universidade tenha sido uma respostas às críticas que recebeu na cidade por ter vetado o projeto de lei que previa a transformação da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) em universidade regional (Unescam). Não é por decreto, mas pelas condições que se cria uma universidade. Ele disse que não existe prazo definido para a nova universidade.
O governador disse que a criação da universidade precisa de um bom projeto e de um trabalho em conjunto entre o governo e toda a comunidade. Em setembro do ano passado, quando saiu o veto à Unescam, o governo do Estado afirmou que o poder público não tinha condições de assumir uma nova institução pública de ensino superior e sugeriu um novo modelo de universidade. Uma comissão chegou a ser formada para discutir o assunto.
Na solenidade de ontem, em Campo Mourão, estava presente o deputado estadual Nélson Tureck (PFL). Apesar de aliado do governador, Tureck tomou posse no mês passado prometendo lutar pela derrubada do veto de Lerner. A visita do governador a Campo Mourão foi tranquila. Apenas um grupo de professores estendeu faixas criticando o governo do Estado pelo não cumprimento de promessas de campanha.
O prefeito Tauillo Tezelli (PPS) também estava no grupo de autoridades que receberam o governador e também discursou elogiando Lerner, explicando que está no PPS porque foi expulso do PSDB.


