Segurança que comanda 'revolta' recebe R$ 10 mil por mês
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011
Catarina Scortecci <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Sindilegis), Edenilson Carlos Ferry, que trabalhava como segurança da Assembleia Legislativa até a ocupação da Polícia Militar ontem, afirmou que recebe um salário bruto de cerca de R$ 10 mil. Ferry ocupa cargo comissionado, mas afirma que ganhou estabilidade após a Constituição de 88: ele está empregado na Casa há 31 anos. Ferry foi questionado pela imprensa sobre seu salário no momento em que foi até o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) entregar os papeis que supostamente comprovariam pagamentos a funcionários do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) em valores acima do teto permitido.
Ferry entregou ao Gaeco 36 folhas com uma relação de nomes de funcionários que ele afirma estarem ligados a Rossoni. As folhas trazem uma lista de nomes completos, com os respectivos salários, pagos entre os anos de 2000 e 2010, mas não revelam timbre da Assembleia.
O presidente do Sindilegis também afirma que alguns dos nomes seriam funcionários ''fantasmas'', mas não soube identificá-los. A segurança Francine Bonamigo, que também foi até o Gaeco, disse que os nomes dos ''fantasmas'' seriam revelados apenas à Procuradoria Geral de Justiça. Ontem, eles foram recebidos pelo procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco. Batisti informou a eles, contudo, que, por se tratar de envolvimento de deputado estadual, a denúncia deveria ser encaminhada para a Procuradoria Geral de Justiça, o que deve ser feito hoje.
Segundo Ferry, cerca de 40 seguranças trabalhavam no Legislativo, sendo 35 em cargos comissionados. Questionado sobre o fato de cargo comissionado ter caráter temporário, daí a exoneração feita ao término de uma Legislatura, Ferry enfatizou que todos os seguranças ''trabalhavam de verdade''. Embora cargos comissionados tenham que ser destinados apenas a funções de chefia e assessoramento, a Assembleia manteve cargos comissionados para uma série de funções, entre elas a de segurança.
O advogado de Ferry, Henoch Gregório Buscariol, informou ainda que protocolou na Vara da Fazenda Pública um mandado de segurança pedindo a reintegração de três funcionários efetivos que trabalhavam como segurança e que, segundo o Sindilegis, teriam sido impedidos de entrar na Casa ontem.


