Apesar da Copa do Mundo e da instabilidade do mercado, a segurança continua sendo a principal obsessão dos governantes e candidatos, que a partir de julho, encerrado o prazo para as convenções, mergulham de vez na campanha eleitoral. Na quinta-feira, o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso considerou a questão da violência como ‘‘prioridade número um na agenda nacional’’. Em São Paulo, todos os candidatos a governador têm pesquisas que indicam a segurança e o emprego como as maiores preocupações do eleitor.
Como o emprego depende mais da política econômica, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-prefeito Paulo Maluf (PPS) e o deputado José Genoíno (PT) já entraram numa disputa particular para ver quem entende mais do assunto. Enquanto Maluf segue enaltecendo a Rota e pregando tolerância zero, Alckmin e Genoíno investem em peças publicitárias sobre o combate à violência. Não faltam números e polêmicas para todos os gostos. Alckmin diz que a maioria dos índices de violência diminuiu, enquanto Maluf critica a falta de gerência da Polícia e Genoíno defende uma reorganização do comando policial.
No meio desse tiroteio verbal, a sensação de insegurança da população continua. ‘‘Essa sensação é muito negativa, deixa as pessoas com medo e mais agressivas, e torna-se maior do que a insegurança em si’’, observa o advogado Roberto Podeval, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. ‘‘Podemos até ter tido uma diminuição da violência no Estado, mas a sensação de insegurança é cada vez maior. É um problema sem solução de curto prazo’’, diagnostica.
A grande questão, avalia Podeval, é que o Estado abandonou, por muitos anos, uma parte da sociedade. Ele cita as zonas periféricas da região metropolitana de São Paulo. ‘‘O crime organizado acabou ocupando esse espaço e conquistando, inclusive, uma legitimidade diante das pessoas, que passaram a confiar nos traficantes’’, analisa. ‘‘O difícil agora é reconquistar esse espaço, porque isso não pode ser feito à força. O Estado tem de ocupá-lo aos poucos, até tornar-se mais confiável do que o marginal.’’
Também para o coronel José Vicente, consultor e pesquisador do Instituto Fernand Braudel, a situação não mudou muito nos últimos anos. Embora considere hoje a polícia paulista mais numerosa, equipada e melhor remunerada, ele adverte que o crime organizado está cada vez mais forte e os índices de criminalidade maiores.

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