Segurança é esquecida pelo governo
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sábado, 05 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaSem balançoO combate à violência nem chegou a merecer espaço na publicação comemorativa ao terceiro aniversário do Real No aniversário de três anos do Real, comemorado intensivamente pelo governo, um dos cinco dedos da mão de Fernando Henrique Cardoso - o que indicava segurança - foi completamente esquecido. A meta classificada como prioritária na campanha eleitoral de 1994 não constou nem da publicação Três Anos de Real - Construindo um Brasil Melhor, divulgado pelo Palácio do Planalto para mostrar também o balanço dos programas de governo. O motivo foi um só: não havia nada relevante, em termos de investimento federal, para o Planalto apresentar na área de segurança pública.
Os recursos para os Estados são mínimos, por isso eu acredito que o assunto não foi tratado, afirmou o chefe de gabinete da Secretaria de Planejamento de Ações Nacionais de Segurança Pública do Ministério da Justiça, coronel Anysio Alves Negrão. Se dependesse de sua importância simbólica, a Secretaria de Segurança Pública mereceria constar dos balanços oficiais: ela passou a existir em janeiro de 1995, quando Fernando Henrique assumiu a Presidência, exatamente porque sua criação era uma das promessas registradas no livreto de campanha Mãos à Obra, Brasil.
Mas ao contrário de outros secretários e ministros, que passaram a semana expondo os efeitos dos três anos de estabilização econômica, o secretário de Ações Nacionais de Segurança Pública, general Gilberto Serra, não ficou em Brasília. Ele viajou. Nem a situação crítica em vários Estados, com a ameaça de greves da Polícia Militar e Civil, mudou este quadro. O porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, informou que a área de segurança pública não foi enfocada porque o Planalto optou por esperar os resultados da comissão do secretário José Gregori.
Amaral referia-se ao Comitê Executivo de Apoio e Acompanhamento do Desempenho da Polícia Militar, Civil e do Corpo de Bombeiro, cuja criação foi anunciada pelo secretário nacional dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori, em 27 de junho. Somente no início de outubro, o comitê deverá ter em mãos uma radiografia da segurança pública nos Estados. A primeira reunião com representantes do setor ocorreu na semana passada, quando foi discutida a criação de um piso salarial único para as PMs.


