Curitiba - A Secretaria de Estado da Segurança Pública iniciou um ''pente-fino'' nos convênios firmados pela gestão do antecessor Jaime Lerner (PFL) com 87 dos 399 municípios para construção e reformas em delegacias de polícia. O diretor-geral e secretário em exercício, Marco Antônio Berberi, disse ter identificado indícios de irregularidades nos convênios, além de haver suspeita de desvio de dinheiro público.
O valor total dos convênios fica próximo a R$ 4 milhões, sendo que mais da metade (R$ 2,3 milhões) refere-se a verbas federais. A investigação será feita em conjunto com a Secretaria de Obras Públicas, que verificará in loco se os convênios estão sendo executados em todo o Paraná. A iniciativa partiu da Secretaria de Segurança. Um funcionário da pasta está analisando minuciosamente convênio por convênio.
Segundo o Palácio Iguaçu, um dos focos de investigação é o 7º Distrito Policial em Curitiba, na Vila Hauer. Em convênio firmado em 2001, foi prevista uma reforma para cimentar 1,5 metro de concreto na rede de esgoto, com o objetivo de evitar fugas. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, os reparos não foram feitos. O Palácio Iguaçu aponta que a falta da reforma acabou facilitando uma fuga: sete presos escaparam pela rede de esgoto, no final de junho. O 7º Distrito está superlotado, com 49 presos. A capacidade seria para cerca de dez pessoas.
Também está na mira do governo o termo firmado para reformar o Centro de Triagem de Curitiba. Há ainda indícios de irregularidades nos convênios firmados com São José dos Pinhais e Itaperuçu (ambos na Região Metropolitana de Curitiba) e Itapejara do Oeste (33 quilômetros ao Norte de Pato Branco).
A Folha procurou ontem o ex-secretário de Segurança José Tavares para comentar o assunto, mas ele não foi localizado.

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