Curitiba - O apoio dos partidos e parlamentares no segundo turno das eleições deste ano gerou ontem debates e discussões na Assembléia Legislativa. O líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), acusou ontem os parlamentares do PMDB de oportunistas por terem apoiado Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno e estarem agora, no segundo turno, apoiando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. Os peemedebistas não gostaram e usaram a tribuna para criticar Rossoni e acusar o deputado de ofertar o apoio do PSDB ao governador Roberto Requião (PMDB) em reuniões particulares na Granja do Canguiri.
''Eu sou uma pessoa de história. Votei duas vezes no Osmar (Dias) para o Senado. Vossa Excelência não teve essa oportunidade porque votou no Tony Garcia. Vossa Excelência é que é oportunista. Aliás, acho que Vossa Excelência evoluiu ao se associar com uma pessoa correta: o senador Osmar Dias. Sempre estive do mesmo lado, com o PMDB e com o governador Roberto Requião'', devolveu Antonio Anibelli, líder do PMDB na Assembléia. Anibelli acusou Rossoni de ter negociado o apoio do PSDB com Requião e depois retirado o apoio e impugnado a coligação - que Rossoni teria costurado - no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O líder do governo, Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB), também ocupou a tribuna ontem para se defender. Dobrandino confessou que apoiava a eleição de Alckmin, mas estava disposto a fazer campanha para o Lula em prol da candidatura de Requião. ''É bom lembrar que seu time, Rossoni, já fracassou lá atrás. Você nunca esteve desse lado que está agora. Seu time fracassou e vergonhosamente. Agora está se agarrando no senador Osmar Dias - que não é má pessoa. Ele é íntegro, mas está muito mal acompanhado. Eu estou do lado que sempre estive. Já apoiei uma eleição de Lerner, mas quando o PMDB estava sem candidato. Apoio sempre os candidatos que meu partido escolhe. Sou um homem de partido'', discursou.
Dobrandino reforçou as acusações de que Rossoni teria procurado Requião para propor acordo, oferecendo o nome de Hermas Brandão para a vice. Rossoni negou que tenha proposto acordo a Requião. Disse que tinha um compromisso de apoio a Osmar Dias e que, se ele não saísse candidato, estaria disposto a procurar outra alternativa - que poderia ser até o apoio a Requião. ''Eu fui corajoso. Se eu me rendesse às facilidades do poder, certamente o canto da sereia teria me conquistado. Lutei pelo que eu achava melhor para o Estado e não me arrependo. Eu não nego os meus companheiros, como faz o Dobrandino - que morou na casa do Jaime Lerner e agora o renega.''

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