Curitiba - O fim do primeiro turno das eleições municipais não significou a volta à rotina na Assembléia Legislativa do Paraná. Os deputados passaram a maior parte da sessão de ontem utilizando o plenário para comentar o resultado das eleições e tomar posicionamentos nas quatro cidades que disputarão o segundo turno.
A campanha eleitoral que ainda está em andamento nas quatro maiores cidades do Estado influenciou na pauta da Casa. Estava prevista para ontem a votação do projeto de lei de autoria do deputado estadual Antônio Anibelli (PMDB) que dobra o salário dos secretários estaduais. Na última hora, porém, o presidente da Assembléia Hermas Brandão (PSDB) decidiu tirar o polêmico projeto da pauta do dia. ''Decidi tirar o projeto, e ele só vai voltar após o segundo turno'', afirmou Brandão, que não quis dar detalhes sobre o motivo da retirada. ''Motivos pessoais'', alegou o tucano.
O projeto de maior impacto aprovado ontem foi o que prevê a redução da jornada dos servidores estaduais da área da saúde para 30 horas. O projeto, de autoria do deputado Tadeu Veneri (PT), foi aprovado ontem em primeira votação.
Apesar da presença dos trabalhadores em saúde do Estado no plenário, os deputados preferiram usar a tribuna para comentar as eleições. A eleição em Londrina foi um dos tópicos prediletos: Elza Correia (PMDB) foi incisiva nas suas críticas ao candidato Antonio Belinati (PSL). ''Já foi degradante disputar as eleições com esse candidato, mas se ele vencer será um desastre para Londrina. Não consigo entender como políticos condenados por corrupção e desvio de verbas ainda conseguem ser eleitos no Brasil'', criticou Elza.
Coube ao presidente estadual do PSL, Geraldo Cartário, o papel de advogado do candidato. ''Cabe aqui lembrar que a candidatura do Belinati foi aceita pelo Tribunal Superior Eleitoral e pela maior corte brasileira. Mas o maior julgamento será nas urnas, quando Belinati será reconduzido à prefeitura para trabalhar pelos mais pobres'', disse Cartário.
Outro pronunciamento que chamou a atenção foi o do deputado Rafael Greca (PMDB). Famoso pelas suas críticas ácidas, o deputado não poupou munição contra seu próprio partido, que preferiu se aliar ao PT na disputa pela prefeitura de Curitiba.
As pesquisas divulgadas pelo Ibope no sábado desagradaram a quase todos os deputados. Marcos Isfer (PPS) criticou o instituto, acusando-o de simular uma polarização que impediu a ida de Rubens Bueno ao segundo turno. Elza Correia (PMDB) e Barbosa Neto (PDT) reclamaram pelo mesmo motivo em relação à eleição de Londrina.

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