Divergentes na maioria dos pontos, as campanhas de Ângelo Vanhoni (PT) e Cassio Taniguchi (PFL) no segundo turno em Curitiba têm pelo menos alguma coisa em comum. Os dois candidatos resolveram ignorar os principais líderes da política paranaense em seus programas de rádio e televisão.
Teoricamente, Vanhoni tem a seu lado os três senadores paranaenses – os irmãos Alvaro e Osmar Dias (ambos do PSDB), e Roberto Requião (PMDB). Também apóiam o petista dois irmãos deste último, Maurício Requião (PMDB) e Eduardo Requião (PDT), candidatos a prefeito derrotados no primeiro turno.
Até agora, apenas o candidato do PSDB à prefeitura no primeiro turno, Luiz Forte Netto, apareceu nos programas de Vanhoni. Líder em todas as pesquisas no segundo turno, o petista tenta ‘‘herdar’’ do arquiteto Forte Netto a imagem de soluções urbanísticas tão ao gosto do curitibano e ponto forte do grupo do governador Jaime Lerner (PFL).
Na campanha de Taniguchi no segundo turno, a participação dos caciques da política também é nula. Passados dez dias do início do horário eleitoral, Lerner e o ex-prefeito Rafael Greca, padrinhos políticos do atual prefeito, não tiveram sequer uma participação nos programas de Cassio. O horário eleitoral termina no próximo dia 27.
Oficialmente, a avaliação é que a decisão é técnica, não política. ‘‘No segundo turno, o tempo é curto e é preciso enfatizar as propostas do candidato’’, afirmou ontem o publicitário Wianey Pinheiro, diretor dos programas de TV do pefelista. ‘‘Mas eles (Greca e Lerner) podem aparecer a qualquer momento, se em uma proposta pudermos fazer um ‘‘link’’ (ligação) com os ícones da cidade’’, completou.
Embora não assumido publicamente, o afastamento de Lerner e Greca dos programas de Cassio é decisão do pessoal de marketing da campanha do prefeito. A intenção seria não ‘‘contaminar’’ a imagem de Cassio com os recentes escândalos envolvendo seus ‘‘criadores’’. Lerner sofre o desgaste natural de um segundo mandato, aliado a fatos negativos, como a duplicação do preço do pedágio nas rodovias estaduais, a privatização do Banestado e o rombo, já comprovado, de pelo menos R$ 226 milhões na Banestado Leasing.
Contra Greca, pesa a acusação de ser conivente com um esquema de cobrança de propinas para a instalação de bingos no País, durante o tempo em que exerceu o cargo de ministro do Esporte e Turismo. Outro ponto negativo foi o fiasco nas comemorações dos 500 Anos do Descobrimento, comandadas por ele e que resultaram em sua saída do ministério.
O próprio Cassio tenta se livrar da associação a Lerner. Em debates no segundo turno, ele repete que ‘‘o que está em julgamento são os problemas da cidade, não a administração estadual’’. Em 1996, quando era um desconhecido da população, Cassio escorou toda a sua campanha no apoio do governador e de Greca, então prefeito de Curitiba. Com o slogan ‘‘Quem é Lerner, é Cassio’’, ele se elegeu no primeiro turno, pelo PDT, mesmo partido de seus ‘‘criadores’’. Naquele ano, Lerner e Greca viviam um bom momento político.
‘‘Eu não fiz nenhuma exigência de aparecer. Não sou candidato e não é hora de exercer vaidades. Estou trabalhando nas ruas, nos comícios’’, disse Greca à Folha ontem. Na sua opinião, a associação de Cassio com líderes estaduais já não é mais necessária porque ‘‘agora ele é conhecido dos curitibanos’’.
Mario Milani, coordenador de imprensa da campanha de Vanhoni, disse que o fato de o PT isolar os caciques que apóiam o candidato no segundo turno não é resultado de supostas divergências sobre a condução da campanha. ‘‘Preferimos colocar as pessoas comuns (no rádio e na TV)’’, afirma. ‘‘Além disso, precisamos apresentar o programa de governo.’’ Segundo ele, os líderes da frente de partidos que apóiam Vanhoni participam da campanha ‘‘na rua e em comícios’’.
O senador Alvaro Dias declarou que ele e seu irmão foram convidados a participar da campanha do petista. ‘‘Mas achamos inconveniente, porque o eleitor vem do primeiro turno com o voto já destinado. Seria oportunismo aparecer na TV’’, afirmou o tucano. Para ele, o apoio do PSDB ao PT é ‘‘mais formal’’ do que prático. ‘‘Não temos condições de dar uma contribuição eleitoral significativa.’’

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